Desafiatlux-gaMeTas ~ Lucida Sans – Ludica Sans – A colisão e os silêncios ~ venus IN mars AS Virgo

nao sonhei.
ou quase.

colisão
silêncio
perfeitamente elástico
no bar da esquina

nostálgica –

lucida hesitava

(…)

(…)

e agora que eu soube

é simples ficar olhando.

tivesse umas cinco
ou cinco chances de me cancelar
demitida do espaço entre racionais e números reais
tal que todos passos de uma dança
a gente pudesse chamar de ainda

como este mapa de toques
do que não era isto

acontece –
que um isto que não era foi visitado
nesta rua
neste endereço

um dia que fosse
nesse lugar

e estaria entregue a você meu idioma
desperto pelos baixos meios em nome de meu nome

e a descoberta
sem jeito e de circo
cortante por dentro e sem sapatos
não passa de estilhaço de terra
eu quis dizer céu eu quis dizer sabia
eu edito: asteriscos*de*céus*do*sul

(você pergunta. qualquer coisa.
não passo de um sintoma. qualquer)

quanto a ir até chegar ou criar mais
ou não conceber distância – – –
estou por perto afinal.

esquecer a lei de ping-pong
tudo sempre como agora em diante
menos para não lugar segredo
surpresa sem quedas
– brinquedo sob vontade

eu que não vestia simples olhos ar puro
desde um dia aí­ em que o café acabou
{eu não digo
[controle (não sei bem) eu não entendo]
o que é próprio} monomania,
monodia. nenhum mais do que nenhum mais do que isso.

destreza em função (aplicação) dos parênteses.
sem tinta sobre branco eles dissecaram amarelo
verdade sob a luz fria variáveis ocultas
as cartas como gravuras carmim
em jogos
não meus.

lixo o anjo
para me esquecer hoje eu não cruzei a rua para onde essa memória vai eu lembro
de onde vim.
eu posso continuar crescendo
amanhã
sob a mesma natureza apaixonada
primogênita

em si

sinto o gostinho,
a não-hora, o tempo recorde em que droguei meus origamis

lí­citos

(e te amo)

que caiam então todas as chaves.

Marina Ribatski no Polavra

Confirmado, a escritora Marina Ribatski estará no SESC dia 02 de setembro no evento Polavra, que acontence dentro do DesafiatLux, onde lançará texto inédito. Também fará a leitura do texto aos presentes.

Uma poesia por favor

Metamorfose da Gorda!

Não amanhece o dia enquanto estamos presos.
Confinado, não existem estrelas.
Se é que elas existem
Se não são apenas luzes viajando,
morrendo devagar e eternamente.
Quando se está preso,
Confinado, você olha a mão
relembra-a pequena…
e chora.

Por ver que esta não brinca mais.
Não há vida algemado
Ancorado, não vamos as Indias
É preciso ser livre de verdades
É preciso esquecer o homem para ser humano.

Rafael Carlleto
Por Gerson (Pereló)

RABO DE BOA ESPERANÇA

Um dia eu vou morar numa América Saudita,
longinqua, cruzando o Golfo Lisérgico,
entre montanhas rochosas e mares de púrpura.

Deus queira que eu não morra
entre as armas e os sultões mancomunados,
na pressa de passar copacabana.

Caubói, coberto de um turbante,
com sorte, engenho, gana e arte,
haxixe, uí­sque, tamarindo e chocolate,
vou vasculhar por toda parte
a parte que me cabe
nesse rabo de boa esperança.

Entre cedros, sequóias e palmeiras,
quem sabe o sabiá ainda cantasse.

João Carlos Machado
inverno / 2005

principe des mees nerves des pés


tragar movimentos,
a tendência a suar de fraude,
uns bens dos cronômetros, ter,ter,
o ponto de vista da fisiologia:
visão confusa a orelha o zumbido
cardio-circo-latria sintomas
as chamas abrutas
de calor e significado
sintomas asteriscos
o sistema nervoso autônomo muito carregado,
a vermelhidão, a palidez.

eu pontuo,
o ponto está ausente,
você modera (luz), 2, 3, seriamente, ou 4, muito sério.
o eu pontuo se define claramente como “eu informo” e como conseqüência
um valor geral
fino
e muito figurativo.

Choveu…

o pauloleminski
é um cachorro louco
que deve ser morto
a pau a pedra
a fogo a pique
senão é bem capaz
o filhodaputa
de fazer chover
em nosso piquenique

Choveu…

o pauloleminski
é um cachorro louco
que deve ser morto
a pau a pedra
a fogo a pique
senão é bem capaz
o filhodaputa
de fazer chover
em nosso piquenique

Agosto

2005/dia 17- noite

Dilata-se o ar espaço que agora ouço:

Visí­vel é a voz de um cão ao longe.
Dilata-se inda mais e treme
Aos sons que perfazendo o aproximar
Estendem-se e audivelmente se extinguem longe.
Os guturais motores dos passantes carros
Inocentemente
Desenhando em meus ouvidos
O espaço em que se movem
Ressoando superfí­cies.

Aparente inextinguí­vel nada,
Infinito espaço que só reconheço
Pelo que o habita:
Coisas sólidas ou vaporosas,
Luzes e escuridões,
Sonidos e o mais profundo surdo nada.

Em algum lugar
Talvez
No infinito universo
Um não lugar.