Ray Beldner – In God we trust

“All artwork is either priceless or worthless.” – Gertrude Stein

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Ray Beldner

Born in San Francisco, Beldner received a BFA from the San Francisco Art Institute and an MFA from Mills College in Oakland, California. He has participated in numerous solo and group exhibitions both nationally and internationally and his work can be found in many public and private collections including the Federal Reserve Board, Washington D.C., the Scottsdale Museum of Contemporary Art, Arizona, the Fine Arts Museums of San Francisco, the Oakland Museum of California, and the San Jose Museum of Art.

Beldner is a 1996 recipient of a California Arts Council Fellowship in New Genres, a 1997 recipient of a Creative Work Fund Grant from the Haas Foundations, and a 1999 recipient of a Potrero Nuevo environmental art grant. He has taught sculpture and interdisciplinary studies at the San Francisco Art Institute and the California College of the Arts, and is currently an Assistant Professor of Art at Saint Mary’s College in Moraga, CA. His work has been reviewed in publications including Arte, Art on Paper, Wired, Boston Globe, Los Angeles Times, San Francisco Chronicle, The Village Voice, International Herald Tribune, and The New York Times.

Most recently, his work has been seen in Living With Duchamp, Tang Museum, Skidmore College, Saratoga Springs, NY, Argent et Valeur, Le Dernier Tabou, Exposition Nationale Suisse, Biel-Bienne, Switzerland, and in the traveling exhibition,Illegal Art: Freedom of Expression in the Corporate Age. He recently had a solo exhibition of his money-related artwork at Caren Golden Fine Art in New York.

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ISSO SOMOS

Aquilo que mediante o dinheiro é para mim, o que posso pagar, isto é, o que o dinheiro pode comprar, isso sou eu, o possuidor do próprio dinheiro. Minha força é tão grande como a força do dinheiro. As qualidades do dinheiro – qualidades e forças essenciais – são minhas, de seu possuidor. O que eu sou e o que eu posso não são determinados de modo algum por minha individualidade.

Sou feio mas posso comprar a mais bela mulher. Portanto não sou feio, pois o efeito da feiúra, sua força afugentadora, é aniquilado pelo dinheiro.

Segundo minha individualidade sou inválido, mas o dinheiro me proporciona vinte e quatro pés, portanto não sou inválido.

Sou um homem mau, sem honra, sem caráter e sem espí­rito, mas o dinheiro é honrado e, portanto também o seu possuidor. O dinheiro é o bem supremo, logo, é bom o seu possuidor.

O dinheiro poupa-me, além disso, o trabalho de ser desonesto, logo presume-se que sou honesto.

Sou estúpido, mas o dinheiro é o espí­rito real de todas as coisas, como poderia seu possuidor ser um estúpido? Além disso, seu possuidor pode comprar as pessoas inteligentes e quem tem o poder sobre os inteligentes não é mais inteligente que o inteligente?

Eu, que mediante o dinheiro posso tudo a que o coração humano aspira, não possuo todas as capacidades humanas? Não transforma meu dinheiro, então, todas as minhas incapacidades em seu contrário?

Se o dinheiro é o laço que me liga í  vida humana, que liga a sociedade a mim, que me liga com a natureza e com o homem, não é o dinheiro o laço de todos os laços? Não pode ele atar e desatar todos os laços? Não é por isso também o meio geral de separação? É a verdadeira marca divisória, assim como o verdadeiro meio de união, a força (…) quí­mica da sociedade.

(Marx, Karl. – Manuscritos Econômico-Filosóficos. 1ê ed., trad.: José Carlos Bruni. São Paulo, Abril S.A. Cultural e Industrial

a pé no sentido sudeste-noroeste


A estátua do homem nu, em Curitiba, olhando para noroeste; ainda sem a sua companheira, em foto de Wilson Brustolin, na década de 60.

O CAMINHO DO PEABIRU

A palavra Peabiru é tupi-guarani e para ela há uma variedade de definições: “Caminho forrado”; “Caminho antigo de ida e volta”; “Caminho pisado”; “Caminho sem ervas”; “Caminho que leva ao céu”, entre outras.
A intensa ocupação humana destruiu o Peabiru, hoje restam pouquí­ssimos vestí­gios. Os mais importantes deles, até o momento, localizam-se em Pitanga / PR.
Provavelmente milenar, o Caminho foi descrito desde o século 16 como possuindo cerca de oito palmos de largura, uma profundidade de 40 cm. e forrado por gramí­neas que impediam o crescimento do mato.
Ainda não é possí­vel saber a rota exata do Caminho, mas, é possí­vel traçar um roteiro aproximado.
O tronco paulista, que começava em São Vicente e Cananéia, seguia a direção do rio Tietê – municí­pio de Itu – rio Paranapanema – rio Itararé – nascente do rio Ribeira do Iguape.
Entrando no PR, percorria Doutor Ulisses – Cerro Azul – Castro – Tibagi – Reserva – Cândido de Abreu – Pitanga – Palmital – Guaraniaçu – Corbélia – Nova Aurora – Tupãssi – Assis Chateubriand – Palotina – Guaí­ra.
O tronco principal catarinense, iniciava-se provavelmente no Massiambu (Palhoça), seguindo por Florianópolis – litoral norte – rio Itapocu – Guaramirim – São Bento – Mafra. Entrava no PR por Rio Negro – Campo do Tenente – Lapa – Porto Amazonas – Palmeira – Castro, trecho usado depois pelos tropeiros.
O Peabiru deixava o estado do PR por Guaí­ra. Havia outra passagem por Foz do Iguaçu – usada por Alvarez Nunes Cabeza de Vaca em 1542.
O Peabiru então, seguia ao norte até a serra de Santa Luzia, perto de Corumbá / MS. Em Puerto Suarez penetrava na Bolí­via. Passava por Cochabamba – Sucre – Potosí­. Nesses locais existiam caminhos incas com várias opções para alcançar o Pací­fico, as mais próximas eram Tacna, Montegua e Arequipa.

Os estudiosos ainda não sabem quem abriu o Caminho do Peabiru. Há três hipóteses principais:
1 – Caminho da Terra Sem Mal – A primeira hipótese supõe que o Peabiru tenha sido aberto pelos guaranis ou por povos anteriores – talvez os itararés.
Originária do Paraguai, a tribo teria se deslocado para o litoral sul do Brasil entre os anos 1000 e 1300. O Peabiru teria sido aberto nessa migração, cujo objetivo era a procura de um paraí­so, a Terra Sem Mal.
2 – Caminho dos Incas – Supõe a construção da trilha como uma iniciativa inca ou pré inca. Neste caso, o Peabiru seria uma via aberta para a prospecção de territórios do Atlântico, visando o comércio com as tribos selváticas do Paraguai, MS, PR, SP e SC.
Primeiro uma estrada de comércio. Depois quem sabe, uma estrada de penetração definitiva das poderosas civilizações andinas no Atlântico sul.
Como via de mão dupla, o Peabiru permitiu a chegada dos guaranis aos Andes. Mesmo sem relações duradouras, as idas e vindas de guaranis e incas pelo Caminho deixaram vestí­gios de uma certa influência cultural na astronomia (leitura e uso de manchas da Via Lactea), estatí­stica (semelhança do ainhé, cordão de cipó guarani com o quipu dos incas), música (flauta de pã), armamento (semelhança da macaná, borduna guarani com a maqana incaica), denominação de fauna e flora : sara (espiga, em guarani; milho em quêchua), cui (animal roedor, nos dois idiomas), jaguar (felino, nos dois idiomas), mandioca e ioca / iuca, suri (ema, nos dois idiomas).
3 – Caminho de São Tomé – Segundo essa versão, o Peabiru teria sido aberto por São Tomé, apóstolo de Cristo. Segundo Sérgio Buarque de Holanda, a devoção suscitada pela descoberta deste Caminho de Tomé na América no século 16 foi tal, que quase desbancou o de Santiago de Compostela. “Pouco faltaria em verdade que não apenas na India, mas em todo o mundo colonial português, essa devoção tomasse um pouco o lugar que na metrópole e na Espanha em geral… “tivera o culto bélico de outro companheiro e discí­pulo de Jesus, cujo corpo se julgava sepultado em Compostela”.
A passagem de Tomé pelo Novo Mundo foi mencionada por í­ndios, padres, autoridades e colonos europeus no século 16. A versão corrente é que um homem branco, barbudo, teria chegado ao litoral brasileiro “andando sobre as águas”. Foi chamado de Sumé.
Em sua peregrinação, teria ido ao Paraguai, abrindo o Caminho. Ali foi visto e chamado de Pay Sumé. Saindo do Paraguai, a misteriosa figura teria continuado até os Andes. Os pré incas o chamaram de Kuniraya. Mais tarde, o personagem recebeu dos incas o nome de Viracocha. Após um perí­odo no Peru, ele teria ido embora, também “andando sobre as águas”.

O Caminho do Peabiru tem toda uma parte ligada a cultura indí­gena. Um aspecto interessante é que ele também pode ser relacionado com a astronomia indí­gena.
Oservando o mapa do Peabiru percebemos que ele inclui, na verdade, diversos caminhos. Vamos nos ater a um só, que foi percorrido pelo pioneiro Aleixo Garcia. Este se inicia em Florianópolis, no oceano Atlântico e vai até Potosi na Bolí­via, pegando depois as estradas dos Incas e indo terminar no oceano Pací­fico. Ou seja, é um caminho transcontinental pré-colombiano.
O Caminho do Aleixo – talvez o mais importante de todos – não é na direção norte-sul e nem leste-oeste, mas sim “inclinado”. Ele vai aproximadamente de sudeste para noroeste.
Ao notar essa inclinação a primeira pergunta que se coloca é a seguinte: por que os primeiros í­ndios escolheram essa direção ao abrir a trilha? E como eles se orientaram para percorrer esse caminho?
Ã?Ë? espantoso constatar que os Guarani de Florianópolis falaram para o Aleixo Garcia que conheciam Potosí­ nos Andes. Que sabiam com o ir e como voltar. Isso tudo a pé, em 1524, mais de 2000 kilômetros em linha reta – naturalmente seguiam os acidentes naturais, rios e tudo o mais – mas a direção inicial-final era sudeste-noroeste.
Ao olhar para o céu, em condições propí­cias, vemos a Via Lactea, que é chamada pelos Guarani de Caminho da Anta (Tapirapé), ou Morada dos Deuses.
Ã?Ë? natural supor que o caminho da Terra Sem Mal, para eles era aquele caminho que estáva lá em cima, no Céu. Que é o Caminho dos Deuses, dos espí­ritos, é a própria Via Lactea.
Não são só os nossos í­ndios que viam assim. Pesquisando na História notamos que egí­pcios, os gregos, os indianos, todos viam a Via Lactea como um caminho. Os antigos nos falavam que havia um tesouro no fim e outro no começo do arco-í­ris. E a gente vivia sonhando em em encontrar o começo e o fim dele. Fazendo uma comparação, os í­ndios brasileiros e também os peruanos, queriam saber onde começava ou terminava o arco-í­ris celeste, ou seja, a Via Lactea.
Seguindo a Via Lactea, por terra, viam que o fim do Caminho ia dar no mar, no oceano Atlântico. E a Terra Sem Mal ficava “ali”, ou “lᔝ, em algum lugar. Por isso é que os í­ndios foram í  direção do mar. Por isso é que na maioria dos mitos indí­genas, o profeta, o Sumé, vem do mar. Porque ele vem daquela ponta da Via Lactea í  qual o í­ndio não tem acesso.
Muito bem, pensa o í­ndio, mas e do lado contrário do caminho da Anta, o que existe? O í­ndio não sabe. Então ele vai procurando na terra, seguindo a Via Lactea. E acaba chegando no outro lado, que também não tem fim, chega num outro mar, o oceano Pací­fico.
Então a idéia básica é essa. O Caminho que nosso í­ndio percorreu é aquele da Via Lactea, quando está mais alta no céu. E que é também, aproximadamente o caminho que liga as posições do nascer-do-sol no verão com o pôr-do-sol no inverno. Ou, SUDESTE-NOROESTE.

Trecho da palestra do astrônomo Germano Bruno Afonso, no 1 Encontro Nacional dos Estudiosos do Caminho do Peabiru, em Pitanga / PR, em novembro de 2003.

Fonte: Cadernos da Ilha, edição número 2. Curso de Jornalismo da UFSC.
cadernosdailha@yahoo.com.br

Falando Sério


Mitriades, rei do Ponto Euxino, temeroso de venenos, habituou-se a tomá-los todos em doses homeopáticas, sempre crescentes, até se tornar imune até a peçonha.

trecho de Catatau – P. Leminski

Imediações de Curitiba

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Arquitetura antiga nos arredores da Igreja do Juruqui, Almirante Tamandaré-PR.

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Interior de residência em Campo Magro, na divisa com Almirante Tamandaré.
Antiga escola municipal transformada em residência, habitada pelo Sr. Roque e suas cinco filhas.

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Fundos de edificação em Campo Magro, região metropolitana de Curitiba.
Antiga escola municipal transformada em residência particular, habitada pelo Sr. Roque e suas cinco filhas.

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Igreja do Juruqui. Almirante Tamandaré.
Dia de Finados de 2005.

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Por falta de tempo, vou editar o post, mais tarde, contando as andanças por lá – e algumas histórias por trás das fotos. Alguns quilômetros mais adiante dos locais das fotos há o Observatório Astronômico do Colégio Estadual do Paraná, mas não encontramos. Alguém sabe onde fica?

PEDAL!

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Sexta- feira, dia 4 as 17h no pátio da Reitoria.

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Passeio de bicicleta organizado por Jorge Brand.
Saí­da: Sexta- feira, dia 4 as 17h no pátio da Reitoria.

tragam suas bicicletas, máscaras, apitos e o q mais quiserem (cores vermelhas na predominância) para um confronto entre as máquinas automotivas, poluidoras e destruidoras da harmonia social, e a ôbicicleta anarquistaô – nos encontraremos í s 17:00hs do dia 4 de novembro, sexta feira, no pátio da reitoria para tomar as ruas, questionar o sistema, provocar o caos e depois dispersar!

CL�SSICOS NA ESCOLA P�šBLICA

A Ilí­ada de Homero


Patrí­cia Reis Braga

Peça adaptada por Sálvio Nienkí¶tter da obra tradutória de Odorico Mendes e inteiramente interpretada (vários personagens) por Patricia Reis Braga que trabalha com a obra odoricana há muitos anos. Sua primeira apresentação de Homero via Odorico se deu no Beto Batata sob a direção de Octávio Camargo em 2001.

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Aconteceu lá na Grécia


Jovens do Colégio Estadual Pedro Macedo

Peça juvenil escrita e dirigida por Sálvio Nienkí¶tter. Espetáculo que teve sua estréia em 2004 na Escola Estadual João Turin, onde foram feitas onze apresentações, e no SESC CENTRO onde o grupo formado naquele colégio fez sua última apresentação. Conta a história da Guerra de Tróia desde os fatos que a geraram até seu desfecho: trágico aos troianos. A peça conta com sete arautos (narradores) e vinte atores que essencialmente fazem pantomimas e evoluções estilizadas.

Estas duas peças foram montadas e exibidas dentro do evento cultural promovido pelo Colégio Estadual Pedro Macedo, no Portão, chamado “II Mostra de Vivência Cultural”, evento coordenado por Giselle Nienkí¶tter. O Cartaz do evento que já foi publicado neste blog é criação do Solda.

fotos: João Debs

Casa Rocha Pombo, Morretes, 30/10/2005

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Casa Rocha Pombo, em Morretes, está em estado de ruí­nas. 30/10/2005.
Texto e Fotos: Mathieu Bertrand Struck.
CC 2.0 BY-NC-ND

No processo de colonização do litoral paranaense, destaca-se a cidade de Morretes, cuja fundação remonta a aproximadamente 1720. Muito embora a pequena cidade, localizada no sopé da Serra do Marumby, já tenha tido sua arquitetura original bastante degenerada, remanescem algumas construções dignas de nota.

Uma dessas construções é a Casa Rocha Pombo, que homenageia um dos mais importantes historiadores brasileiros, nascido naquela cidade. Um rápido histórico a seu respeito pode ser lido aqui.

Na Casa costumava funcionar a secretaria de cultura da cidade, mas desde um incêndio, ocorrido há alguns anos, não se usou mais o imóvel.

Em sua parte externa, a casa já não se encontra em boas condições. Os jardins estão abandonados e a maquete (1:5000) da Serra do Marumby encontra-se em estado deplorável, toda lavada pela chuva e sem qualquer identificação dos picos retratados.

Encontramos as portas da casa escancaradas e o interior completamente escuro. Não havia ninguém. Experimentamos alguns interruptores, alguns funcionavam, outros não. Na maioria dos cômodos e salões, não havia nenhum sinal de mobí­lia, quadros ou adereços. A madeira do forro e do telhado, em muitos pontos, está em estado de podridão generalizada, com plantas trepadeiras avançando sobre as paredes.

Na sala principal, uma montanha considerável de livros (certamente da antiga biblioteca da Casa) estava amontoada em um dos cantos. O estado era igualmente deplorável, diversas pilhas de livros estavam sendo devoradas por fungos e cupins. E embora tivesse muita tranqueira, havia algumas coisas muito boas (p. ex. uma bela Enciclopédia Brasileira de 1870 +ou- e um Tratado de Paleontologia Brasileira da década de 20, além da rara coleção sobre a História da Cia. de Jesus no Brasil, em uma dezena de volumes – tudo já mofado e úmido). Se as chuvas continuarem, certamente esses livros – a julgar pelo seu estado atual – não estarão inteiros na virada do ano.

Outro dado a ser investigado é que vimos uma loja de ferragens e velharias (não muito longe dali – aliás, nada longe dali) vendendo livros estranhamente similares aos que estavam amontoados na Casa (pode ser coincidência, evidentemente). Isso pode revelar um ou mais possí­veis saques locais í  biblioteca pelos locais. O fato é que dois estranhos na cidade (nós) encontraram as portas da casa abertas (indicando claramente abandono) e nela ficaram sozinhos por 45 minutos, aproximadamente. Poderí­amos ter levado os livros que quiséssemos. Se a Casa fica permanentemente escancarada, ajuda muito.

Em frente, uma feira local vendia artesanato aos turistas (mais de 50% dos itens vêm da Bahia e de outros estados do Nordeste e praticamente não há artesanato local – outro dado digno de nota). Ninguém viu nada? Difí­cil.

Residentes e comerciantes próximos sustentam que, desde o incêndio parcial da Casa, não houve qualquer moção por parte das autoridades municipais no sentido de promover uma reforma ou – no mí­nimo – estancar o processo de devastação, pilhagem e degradação. Mais de um deles alegou ser fato notório a liberação de vastos recursos pela Petrobrás í  Prefeitura de Morretes (como compensação financeira por um vazamento de óleo ocorrido recentemente na região litorânea) e o seu “mágico” desaparecimento, na burocracia morretense. Ninguém sabe, ninguém viu. A grana, ao que tudo indica, foi liberada. (Os moradores informaram que a administração atual é do PMDB – a informação não foi verificada).

As fotos abaixo (espero que não sejam muitas) demonstram a necessidade de providências urgentes. Trata-se de patrimônio cultural do estado, tombado em 1973 e que está, rapidamente, se transformando em mais uma ruí­na. O populacho local não parece muito interessad0 no problema e – pior – parece até ter encontrado formas de se beneficiar dele. Embora não tenhamos sido incomodados durante nossa permanência no local, vimos mais de uma vez vendedores da feira local pegarem os raros itens de mobiliário (cadeiras, banquinhos, mesinha) para se acomodarem em suas barraquinhas. Se colocam de volta depois do uso (ou levam para suas casas para assistir o Faustão), não sei.

Do ponto de vista arquitetônico, a Casa Rocha Pombo é até simples e nem muito antiga (segunda metade do Séc. XIX e já passou por diversas intervenções posteriores). Mas a arquitetura das cidades litorâneas do Estado já foi por demais descaracterizada e acredito ser esta uma decorrência direta da inépcia, incapacidade de organização e permissividade dos residentes locais para com a destruição de seu ambiente urbano. Obs. o predinho com sacadas ao lado da Igreja de Antonina é um exemplo clarí­ssimo (vou procurar a foto e postar em seguida).

Momento Paraná em Páginas í  parte, parece-me um alerta digno a ser dado, no sentido de preservar o pouco que ainda resta do passado do litoral paranaense.

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Frontispí­cio da Casa Rocha Pombo, em Morretes-PR, Outubro de 2005.

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Porta de entrada. à direita, um pé de comigo-ninguém-pode alerta o visitante mal-intencionado.

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Bicicletas de feirantes estacionadas na Casa.

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Mais bicicletas, porta lateral e um pé de espada-de-são-jorge(í  dir.), outra planta de forte conteúdo simbólico. O que pretendiam os antigos ocupantes da Casa afastar?

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Parte incendiada do teto da Casa.

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Antigos lustres da Casa, amontoados em uma de suas salas.
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Conjunção astral nos vidros da Casa Rocha Pombo, 2005.

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Montoeira de livros rumo í  destruição.

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Maquete da Serra do Marumby.
Num grupo de turistas franceses que estava passeando ao mesmo tempo pelos jardins abandonados da Casa, ouvi a seguinte pergunta: “Isso é um mapa do Brasil? Onde está o Oceano Pací­fico?”

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Outro Olhar:
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Legenda: “Casa Rocha Pombo. Homenagem de Morretes ao seu grande filho, famoso historiador e polí­tico”.

Foto de Carlos Renato Fernandes, in O Paraná, Edipan, 1991

O MEDO DO GOLEIRO DIANTE DO PÃ?Å NALTI

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