Thy Name is Thy, NoWhEReMEn… (there’s no place like one-ono-onu-om-own)

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Em nossa “modernidade lí­quida”, como o senhor a chama, as identidades fixas se tornam cada vez mais irreais e inoperantes. No entanto, “ter uma identidade” se tornou, no mundo de hoje, uma verdadeira obsessão.

De fato, dadas as condições lí­quidas do mundo moderno, ter uma identidade fixa se tornou um projeto sinistro e, mais que isso, uma terrí­vel ameaça. Veja a grande contradição em que estamos confinados! “Ter uma identidade” significa estar claramente definido, inclui continuidade e consistência. Mas, ao mesmo tempo, nas condições fluidas do mundo de hoje, almejar continuidade e consistência se tornou uma estratégia suicida e fracassada.

A idéia de identidade ganhou importância no momento em que tanto a noção de individualidade como a de coletividade começaram a falhar. Mas a idéia de identidade carrega, em si, um paradoxo, porque ela tanto aponta para o desejo de uma emancipação individual, como para o de integração a um grupo. Logo, a busca da identidade se dá sempre em duas direções. É uma busca que se faz sempre sob fogo cruzado e sob a pressão de duas forças contraditórias. É uma luta que se torna vã, já que leva os que a travam a navegar entre dois extremos inconciliáveis: o da individualidade absoluta, e o da entrega absoluta. A individualidade absoluta é inatingí­vel. Enquanto a entrega absoluta faz desaparecer todo aquele que dela se aproxima.

Por esse motivo, a busca da identidade gera perigos potencialmente mortais, tanto para a individualidade, como para a coletividade, embora ambas apelem para ela como uma arma de auto-afirmação. A estrada para a identidade é uma rota de batalhas intermináveis entre o desejo de liberdade e o desejo de segurança, caminho, ainda por cima, assombrado pelo medo da solidão e o pavor da impotência. Por esse motivo, a “guerra pela identidade” é sempre sem conclusão e é, provavelmente, uma guerra sem vencedores, embora a “causa da identidade” possa continuar a ser ostentada.

7 comments

  1. Glem:

    Concordo, em g�ªnero, n�ºmero e grau. But I�´m the cloud of the blog. I�´m sorry. Ainda n�£o estou preparado para perder a identidade. J�¡ a perdi, a recuperei e estou me dando muito bem com ela.

  2. O senhor �© freq�¼entemente acusado de ser um pensador pessimista. O senhor �© pessimista?

    NÃ?£o, nÃ?£o sou pessimista. Otimistas sÃ?£o as pessoas que acreditam que o mundo que temos hoje, o mundo em que vivemos, Ã?© o melhor mundo possÃ?­vel. Pessimistas, por outro lado, sÃ?£o as pessoas que suspeitam que os otimistas podem estar com a razÃ?£o… Na verdade, eu nÃ?£o sou nem pessimista, nem otimista. Eu acredito que um mundo melhor Ã?© possÃ?­vel. Bem, vamos tratar, entÃ?£o, de melhorÃ?¡-lo um pouco.

    Zymund Bauman

  3. Nowhere Man �© uma m�ºsica lind�­ssima dos Beatles.
    Consta do cd Rubber Soul e fala mais ou menos sobre o assunto. Agora, joguinho de palavras, tipo one-ono-onu-om-own eu fazia no col�©gio e me divertia muito. Isso h�¡ muitos anos.

    Solda

  4. He’s a real nowhere Man,
    Sitting in his Nowhere Land,
    Making all his nowhere plans
    for nobody.

    Doesn’t have a point of view,
    Knows not where he’s going to,
    Isn’t he a bit like you and me?
    Nowhere Man, please listen,
    You don’t know what you’re missing,
    Nowhere Man, the world is at your command.

    He’s as blind as he can be,
    Just sees what he wants to see,
    Nowhere Man can you see me at all?
    Nowhere Man, don’t worry,
    Take your time, don’t hurry,
    Leave it all till somebody else
    lends you a hand.
    Doesn’t have a point of view,
    Knows not where he’s going to,
    Isn’t he a bit like you and me?

    Nowhere Man, please listen,
    You don’t know what you’re missing,
    Nowhere Man, the world is at your command.

    He’s a real Nowhere Man,
    Sitting in his Nowhere Land,
    Making all his nowhere plans
    for nobody.
    Making all his nowhere plans
    for nobody.
    Making all his nowhere plans
    for nobody.

    prologue: No body has NO-body:

    ART

    To justify artist’s professional, parasitic and elite status in society,
    he must demonstrate artist’s indispensability and exclusiveness,
    he must demonstrate the dependability of audience upon him,
    he must demonstrate that no one but the artist can do art.

    FLUXUS ART-AMUSEMENT

    To establish artist’s nonprofessional status in society,
    he must demonstrate artist’s dispensability and inclusiveness,
    he must demonstrate the selfsufficiency of the audience,
    he must demonstrate that anything can be art and anyone can do it.

    Therefore, art must appear to be complex, pretentious, profound,
    serious, intellectual, inspired, skillful, significant, theatrical,
    It must appear to be caluable as commodity so as to provide the
    artist with an income.
    To raise its value (artist’s income and patrons profit), art is made
    to appear rare, limited in quantity and therefore obtainable and
    accessible only to the social elite and institutions.

    Therefore, art-amusement must be simple, amusing, upretentious,
    concerned with insignificances, require no skill or countless
    rehersals, have no commodity or institutional value.

    The value of art-amusement must be lowered by making it unlimited,
    massproduced, obtainable by all and eventually produced by all.

    Fluxus art-amusement is the rear-guard without any pretention
    or urge to participate in the competition of “one-upmanship” with
    the avant-garde. It strives for the monostructural and nontheatrical
    qualities of simple natural event, a game or a gag. It is the fusion
    of Spikes Jones Vaudeville, gag, children’s games and Duchamp.

    Manifesto on Art / Fluxus Art Amusement by George Maciunas, 1965.

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