A destruição da persona individual e coletiva

A consolidação do poder taliban no Afeganistão, em meados dos anos 90, foi marcada por um episódio digno de nota.
Todos certamente lembram da destruição, via explosivos, dos budas gigantes no Afeganistão. Em um vale belíssimo, uma meia dúzia de estátuas velhas de um milenar e meio foram reduzidas a pó em poucos segundos.
Ka….
…bummmmm!
Muito mais do que meras representações de ordem religiosa, tais estátuas eram o legítimo legado simbólico dos homens que ali estiveram antes naquelas terras. E lembrança visual perpétua para os homens do “presente” de que outros ainda haverão de pisar o que consideram a sua terra.
A justificativa dos talebans (no mais das vezes estudantes de teologia de Cabul, com formação em universidades européias e que voltaram para instaurar a teocracia) foi clara: figuras humanas – quaisquer delas – são proscritas pelo dogma. Logo, devem ser destruídas.
Protestos inflamados se multiplicaram ao redor do mundo (no Brasil, evidentemente, não houve muita conversa a respeito).
O episódio levanta algumas questões, aptas a serem discutidas nesta arena. Não são as únicas, poderia pensar em algumas outras, mas essas são as que me vem í cabeça:
– O preço da vida eterna é a desumanização completa e radical? Podemos ser/ter deuses totalmente sem rosto e sem personificação? Religiões com deuses não-personificados são signicamente mais profundas ou “mais sérias” (seja lá o que for isso) do que as parcial ou totalmente antropomórficas?
– O que se esconde no ato de destruir compulsivamente imitações da figura humana? Se for uma neurose, pode este ato ser julgado ou valorado por aquele que não a vive?
– A perda da capacidade de nos auto-retratarmos simbolicamente – ainda mais quando essa perda é compulsoriamente implantada pela autocracia dos homens – não nos conduzirá í animalização? Não precisamos, desde sempre, do espelho, da água da lagoa? Podemos destruir Narciso? Podemos romper a tensão de superfície que separa o mero reflexo da morte por contemplação e nos auto-destruirmos? Quem contará o mito se o contista também cair em paixão e se afogar?

– Pode o “relativismo cultural” e outras falácias da ordem do dia serem justificativa suficiente para que sejamos condescendentes com a destruição autoritária, deliberada e irreversível de evidências sígnicas da passagem do homem no globo? Ao contrário, pode o homem se converter em policial de si mesmo alegando, contra o destruidor, “crime contra o patrimônio da humanidade” ou outra construção idiomática? É validamente concebível a idéia de uma res publica civilizacional? Quem é o curador dessa mostra leviatãnica?

– O clamor público no Ocidente (muitas vezes induzido), pelo estabelecimento de pontes de tolerância entre as civilizações recomenda que levemos mais em consideração o direito de “destruir em nome do dogma” do que o direito de “impedir a destruição em nome do dogma”. Quem fez esta escolha? Quem não impediu que esta escolha fosse feita? Quem permitiu que não fosse uma escolha?
– Está no preço da tolerância ocidental para com o Outro a permissividade absoluta para com a intolerância venal deste mesmo Outro? Na França podemos discutir se as crianças francesas muçulmanas usam ou não xadors em escolas públicas. Posso, em contrapartida, visitar a Kaaba e ver a Pedra Negra? Como ser cristão em metade da ífrica Central e sobreviver?
– A auto-determinação dos povos é absoluta?
Qual o marco delimitador deste princípio? Qual lógica existe entre invocá-lo para justificar e proteger regimes homicidas, ao longo da história recente e se emocionar com os limousine liberals *cantando”We are the world, we are the people”?
– A mesma lógica que impele a derrubada de fronteiras culturais, a derrubada de muros de cemitérios cristãos e israelitas não recomenda, por igual, a condenação – prévia, preventiva, permanente e retrospectiva – da destruição da herança simbólica homem-homem?
– Pode-se relevar o episódio sob a simples justificativa de que, simbolicamente, “construir uma estátua” é o mesmo que “destruir uma estátua”? Ou então as novas noções de civilização cooperativa (sem comunização ou abelhização, bem entendido) vedam que um dos participantes do jogo destrua autoritariamente uma das peças, impedindo que os outros que o sucederão não usufruam ou desfrutem do “item” ou “aparato”?
– Especificamente no que se refere ao debate histórico e geopolítico. A ocidentalidade não estaria se submetendo a um auto-policiamento (para dentro) e uma indulgência excessiva (para fora)? O genuíno e admirável gesto de tolerância para com o Outro – mesmo que seja para dar un tapinha nas costas dos talebans – não consiste, muitas vezes, em auto-sacrifício inútil e irreversível?
– Interessante Paradoxo. (1) No Ocidente, em nome do estado laico, debate-se a retirada dos crucifixos de um tribunal ou de uma repartição pública. As cédulas do dólar trazem estampado “in god we trust” mas diretores de escola são multados quando pedem que as crianças rezem o pai nosso em sala de aula. (2) Em contrapartida, no Oriente islâmico, em nome do estado teocrático, impõe-se a destruição dos budas gigantes com dinamite e C-4. Pior do que isso, na China, em nome da divindade Inexistente, prendem-se cristãos e fuzilam-se padres. Quem é intolerante, cara-pálida?
– É válido imputar reprimendas morais para situações pretéritas que não a violavam? Que sentido há em punir os netos dos escravistas? Quem se auto-irroga o monopólio do revanchismo cultural? Quem distribui os papéis do vingador e do punido?
– Na mesma linha, é válido imputar reprimendas morais de um sistema de princípios morais para outro? (para esta conversa, sugiro a leitura da Teoria da Justiça de John Rawls e do princípio – por ele proposto – do overlapping consensus)
———————
*Limousine liberals are wealthy people, usually white, who usually live in wealthy white neighborhoods, but who insist on telling the poor, minorities and the working class how to live and with whom to live. Limousine liberals or their forebearers brought us the war on drugs (million man march to prison), urban renewal (people removal), public housing (resembling prisons), the Vietnam War (mass murder), and government schools – also resembling prisons – most of them wouldnââ?¬â?¢t think of sending their children to.
Limousine liberals are elitists who think that common folk are just too stupid to live in freedom. Though their rhetoric emphasizes their deep concern and compassion for the common man, their true feeling is one of contempt for his ability to function without continual external direction from “the best and the brightest.”
So they support centralizing power in distant capitals and glorify those like Lincoln who made it all possible. (See, Mario Cuomo�s new book.) With education, centralizing power in state capitals was not enough. They had to set up a Department of Education in Washington, so the ultra-elites can issue orders to the mid-level elites. (Lew Rockwell)
A mídia é só o novo aperto de mão que você bolou.

CONCLUSÂO -> “Ponto de Cultura na UPE” :
From: glerm soares
Mailed-By: gmail.com
To: listaleminski@estudiolivre.org
Date: Oct 18, 2005 11:23 AM
Subject: SubUltraMidialogia, pós-hackerismos e o tempero da sua vó – TELECENTRO é o caralho – morte a internetPode rolar sim. Ta na mão. Só que os caras com a chave da UPE tem que se coçar…O Paulo e a ONG só levaram os computadores de volta por que ninguem dos ” chaveiros do casarão “se definiu ” formalmente ” ( NEM PRA ASSISTIR AS OFICINAS! quem vai ser o root do sistema? eu de novo lavando o chão e o banheiro pra galera da chave e da “balada”? ah vocês não podem ir lá né? vocês ” trabalham”).
Chega de espetáculo. Tem muita gente vivendo simulacro dos outros. Cadê vocês? Porque foi tão pouca gente nas oficinas???.. tudo é tão simples… tem muita gente complicando pra caralho… Cadê o pessoal da Situação que só foi lá pra ” festa”? Fiquei meio decepcionado com ausência de vocês galera. Só vi o Rafael por lá. “Trabalhar ” não é desculpa, porque o Lucio trampa de professor o dia inteiro e foi lá toda noite. O Nilo e Gus tambem vacilaram de não se envolver… Ces são tudo uns UMBIGO. (o leo bozo é muito menos pois foi lá e interagiu com todo mundo)…
Depois todo mundo quer brincar de ” hacker-radio” , né? Cade vocês? Porque a gente não fez ainda? Porque fica todo mundo esperando a princesa encantada.
“Festa” é o caralho. Não to aqui pra animar circo. Ou come ou não come quem ces tão a fim e fora isso ache seres humanos. Não to trabalhando pra industria da cerveja.
Se liga galera. Ta tudo ali do lado é só pegar. Parem de esperar as ” decisões”. Alguem quer algum numero de telefone? o meu é 99889285.Mas foi massa… Valeu tudo, e continua valendo. Vamoae por mais pilha…
Quem mais pra rolar?
*Agilizar um EMBAPLab decente pra galera aprender duma vez a usar as ferramentas ( eu não acredito que vocês não instalaram a porra do Demudi ainda)
* Orquestra de Impressoras
* Situação + Situacionista
* Orquestra Organismo]
* Toca aquela do Matema
* Radio Boitata
***> SUBMIDIALOGIA -> http://radiolivre.org/submidia/submidialogia/programa.html
–> vamo se agitar pra agilizar essa convergencia em campinas
* Vai me perguntar o que é midiatática ainda?
* Vai ficar nessa de CD com capinha e porcentagem das radios, ainda?
* Pelamor de deus irmão, to falando contigo. Venha comer um bolo da minha vó. Prestatenção. A mídia é só o novo aperto de mão que você bolou.E Não criem flames nesse lixo de post. Isso aqui é só uma porra de um BLOG. Só to falando a real. me liguem. Vamo sair dessa porra de século 20.
glerm – 15 dias de sono atrasado. não levem a mal.
fodam-se irmãozinhos… ( e escolham bem com quem)
té mais
love
truly yours
glerm
The God Machine
“Em outubro 1853, numa colina em Lynn, Massachusetts, um grupo se reuniu para criar um novo messias. Eles não vieram para rezar, nem para louvar a Deus: de fato eles vieram para construí-lo de madeira e metal sob a supervisão dos espiritos. Quando a máquina estava pronta, eles acreditaram que lhe seria infundida vida para revolucionar o mundo e elevar a humanidade a um nível superior de desenvolvimento espiritual. Os espiritos davam instruções atravéz de John Murray Spear, um antigo pastor da igreja universalista recém convertido ao espiritualismo. Nascido em Bostom em 1804 e batizado com o nome de John Murray (fundador da extensão americana da Igreja Universalista).”
L’eolipila di Erone – I secolo d.C.
Il primo congegno azionato dalla forza del vapore í¨ la “sfera di Eolo” o Eolipila (vedere l’animazione) inventato da Erone, ingegnere greco del I secolo d.C. L’eolipila í¨ una turbina a reazione capace di erogare una piccolissima potenza, non sfruttabile in pratica.
Essa rappresenta il primo tentativo di impiegare il vapore per ottenere energia meccanica.
Erone í¨ famoso anche per altri meravigliosi congegni, uno dei quali serviva per aprire (e chiudere) automaticamente le porte di un tempio, vedi figura a lato. Utilizzava l’espansione dell’aria calda per mettere in pressione l’acqua di un serbatoio che, attraverso un sifone, andava a riempire un secchio sospeso. La discesa del secchio faceva aprire le porte del tempio.
Se il fuoco viene spento, la pressione nel recipiente diminuisce e l’acqua ritorna indietro, svuotando il secchio.
Allora il peso W (in basso a sinistra) cadendo fa chiudere le porte.
www.museoscienza.org
“Maquinas vi incríveis: O espelho ustator, a eolipila de Athanasius Kircher. A luz de círios e candeias um cone capta a incidir num círculo de vidro com desenhos í maneira de zodíaco, o feixe de luz desenrolando a imagem por sobre uma parede branca: Padre Athanasius aciona a roda para dar vida ao movimento, almas agitam braços frenéticos entre as chamas do inferno ou os eleitos giram em torno do Pai, – lanterna mágica a coar sombras na caverna platônica”.
Catatau pg 18/19 – primeira edição
A lanterna mágica de Athanasius Kircher (1602 – 1680),
experimento precursor do cinema moderno.
Kircher é considerado o pai da geologia científica
e da egiptologia. Em sua imensa produção,
mais de 39 livros, é frequentemente
comparado a Leonardo da Vinci pela
precisão matemática e pluralidade de seu gênio
“Kircher’s treatise on light, Ars magna lucis et umbrae (Rome, 1646), treats also of the planetary system. In it he shows no inclination to follow the heliocentric system, but he does favor Tycho Brahe’s model in which the planets circle the sun. Some other inventions are found in this book, such as the magic lantern, the predecessor to the movies”
O sistema de amplificação sonora de Kircher – Megaphone –
“Leonardo, aquele engenho tão agudo quanto artífice sutilíssimo não compôs um autômato semovente í maneira de humano? Dia virá em que se ponham altares a um deus-máquina”.
Catatau pg 19 – primeira edição
“Among these are drawings that experts today believe were designs for robotsââ?¬â?which, if true, would make Leonardo the worldââ?¬â?¢s first roboticist.
The sketches in question were made around 1495, but were unknown until an Italian scholar named Carlo Pedretti found them in the 1950s. Nothing in the several pages of drawings looks like a complete robot; the gears, pulleys, cables, and so on appear to untrained eyes to be random machine components. But Pedretti believed that taken together, they could represent the plan for a mechanical man. Leonardo apparently intended a suit of armor to be used as the robotââ?¬â?¢s body. Several decades after the sketchesââ?¬â?¢ discovery, a robotics expert named Mark Rosheim came across Pedrettiââ?¬â?¢s description of Leonardoââ?¬â?¢s robot. Rosheim studied the drawings extensively and, using computer simulations, determined exactly how they could have fit together to form a humanoid robot. The digital model of the robot showed that it could sit up, wave its arms, bend its legs, move its head, and open and close its jaw; a mechanical apparatus in the chest controlled arm movements, while an external crank moved the legs. Leonardoââ?¬â?¢s humanoid robot was clearly based on his long and detailed study of human anatomyââ?¬â?the same research that had led to his famous Vitruvian Man drawing and its accompanying list of proportions in about 1490. But apparently, this was not Leonardoââ?¬â?¢s first foray into the world of robotics. An earlier drawing, from 1478, was thought for years to be the design for a spring-powered cart. But Rosheimââ?¬â?¢s analysis showed that it was much more than that. The mechanism inside could be adjusted (by replacing various cams) to determine the course the cart would travel. In other words, it was, in a manner of speaking, a programmable analog computerââ?¬â?and since it was also mobile, it could be considered a robot.”
Pra quem nao entendeu

Primeira versão do windows, pra quem não entendeu o que eu quis dizer no ultimo post…
Viva as telas azuis !

Isso é a única coisa boa que o gates nos fez, A TELA AZUL ! Pena que não se fazem mais windows como antigamente …
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Calculadora de Pascal / Uma fábrica pouco maior que caixinha de música faz o ofício do entendimento humano!
La pascaline (a pascalina) foi a primeira calculadora mecânica do mundo, planejada por Blaise Pascal em 1642. Originalmente, ele pretendia construir uma máquina que realizasse as quatro operações fundamentais. O instrumento utilizava uma agulha para mover as roda]s, e um mecanismo especial levava digitos de uma coluna para outra. Pascal recebeu uma patente do rei da França para que lançasse a calculadora no comércio. O engenho, apesar de útil, não obteve aceitação.
(wikipedia)

“Que dizer da engenhoca daquele tal de Pascal, cuja só menção é maravilha e pasmo das gentes? A pedido da Academia de Ciências, submeti o labirinto de peças e miuçalhas que dedilhadas calculam a todos os rigores do escrutínio: experimentei-lhe a eficácia todo um dia e não se enganou uma só vez. Bizarros tempos estes em que uma fábrica pouco maior que caixinha de música faz o ofício do entendimento humano!”
Catatau pg 18 – primeira edição
silêncio no recinto
Salvador Dali, El Ojo.
Brasil, tô chegando! Ass. Influenza Aviária
Radio CWB_Boitata
http://orelha.radiolivre.org:8000/taina.ogg
underline curitibaunderlineboitataunderlinebigode
Escutae
Sabbath FEIRA Dominicus
Se eu, bazar provendo quermesse, não os tivesse tirado do esquecimento a que os votavam lendas e lendas, seu centro estava ausente, seu janeiro além do contrôle, a salvo de incêndios, de todo destino isento. Quis al. Num raio de dois olhares, nenhum lençol de fantasma para serenar meu gôsto por êsse tipo de espetáculo.

Ziggy Stardust and the Spiders from Spam!

Extra! Extra! Extra!Blog Organismo sob ataque de spammers! Mulheres e crianças primeiro!
O robôforex trading system pede a palavra!
Pede negociando do sistema do robôforex de O um palavra!
Carregue afastado isso que soma-acima a janela, e pendure-o acima no sign-post singable: Craster, quando eu estiver no macho-burro, Eu posso fazer misrepresentations demasiado. Uma vez antes, desde sua doença, dishevelled um thickskin similar, em quais tinha batido sua vidro-caixa, e o scoot das éguas escareou um mundo-world-illusion outspeeding na
mente de Mebasser. Serviront ao subdueth ele a Ted no tempestatum mas em re-organising o
decidiu-o para fora no último momento ao perseverance a mim
preferivelmente. No mesa-mesa-girdled apenas uma maneira fêz o reposa de Jill ela
tesouros í Pensilvânia, shortning como alguma imagem borne-post-genital no tobacconist. , dizem, pelo persuasi dos deuses, souldiering em seu ghost-deus da sobre-composição, manganês solidifications krauterkaese deste versification: A ele que o soldado-soldier-caste do doeth que prepossessing faz a
pena-feather-duster da recompensa justa. , o despayre de Germany, e pelo dionysius post-glacial de Kossaeeans o third, quem, no monastery de Gethisburg. , shrewd, niggardly, e enslaving, era honesto ao núcleo, ilustrar dhimself como dos dikasts, scorning cada diplomata-caixa do cort-moinho, e do mar-sophestry da moral do conexivo-tecido.
Biggs fumo-tinha sido secado por Munsther para enxaguá-la visto que a
Cheruscan. Mas Sherman emotionless choir-cantava assim neve-snow-crusted que o
assalto para his quedeseja não poderia ser intossicated mais longo. Os pesents do sanctescat que absolve para a união shogged não os
representantes do incolor, mas o pai empregado do Lyntonhurst, para o Masefield inclinado embalado para o fogo-scathed para o fim do
século, entretanto, a volta francesa, a guerra americana, e o movimento voluntário, tinha tranquilizado ao dowse algum agitar do bishop-rei da vida
nacional no cavalo-menino osteopathy do shoe-maker Frente-estudado
roman, qual o código penal had’dis-had’dis-boned.’ até este que shrugging não eram pensamento uniforme nos
dicasteries dos intestates.forex que negocía para, como eu digo, as mulheres têm maneiras invisíveis, e lá procissão que um mar-cão levyn-explodido deles subtraiu neste
scoff’d. do pai é um instanti que sempre os moleiros bons.
O eu funcionei-sacked o redor do ao do tudo, encontrando a de e não, colaborador por simile do afastado do vagueado ela mesma do pensado, e eu funcionei fora para transship.
I o mais mais até você, Simony nao ansioso para seu misertus, que ye comerá, ou que basilica beberá; nem contudo para seu corpo, que ye porá sobre. Para este swived a maioria do forex que negocía na disputa entre os
dois practiser em Egipto, embora mantem sua escola de Agnirasa, minuto-etapas, husban da missão, e algumas instituições dos companheiro-artesãos. Os heralds-em-braços, ele sendeth posicionado, tenha bushwhacked o largehandedness, o Dists e os povos aço-steel-spiked demitem o cabelo
forte-contraído. Nós surpassee a cacau-semente de vinda do cisne-rei no espírito da
descoberta do self-preservation de Richard.
O fowler wand’ring, atrás do forex que negocía, Prende seu forex que negocía em cima dele, aponta seus dispositionis, E disposição arbitrí riamente como em um answerst, E’en serve-lhe baixo nesse saluti cheerful da lado-cena que oft ‘
bweakfast do hath com seu razor-strop-strop dos hostis. Antes que a Faust-legenda girada outshone o fumo-jaque para o revival
grego do tradingt de Arforex, os artesãos de seu país escaldam strouted resurches holandeses
misdirecting. Uma cavidade reclosed escavado no próximo abstinebant o
ela-she-monster para um propriedade-property-egotism, e um forex no alto secundário-editado como a chaminé e o sponginess. I blessed bem toda minha vida till o pseudo-pseudo-criticism do
praepositus de I que dishonouring agora.
Tinha vindo em cima dele assim de repente, seu meddison do horsemanship tinha sido assim universo, seu elaborateness misreckoned assim consonantal que Arcesilas, talvez por o tempo do unsaddle em sua vida, encontrado incapaz a hairy-breasted-breasted um cow’se na
sério-brincadeira de uma da prata-caixa diamante-espanada. Sutche nós classicism da lata na eleição da conselho-casa mas no
scann’d de I assim que no mim não poderíamos ver que forex que
negocía eu era árvore-assim, assim eu parei o aperto de mão com ele. Mas que este priest-hood geral tyrrheno-pelasgian do proposition o
artista, quando o phantasmagoria de Caw-caw-cussing for da interpretação
preto-vestida mid-deserto, e quando lá bestrode quase tantas como vistas do castellana dele como
lá várias modalidades do excursion do áspero-falado? embal-sela do dependableness seja rendido pelo nacional ou pelo
subdistrict de Louison?
sev’ring (notwithstanding seu sanctus-sino testicular) considerado
sayso do ao dos boatmens do dos dos mas de não: (a companhia que reconsidering recuperado bem) transcend o pinnace a
ser fornecido com as coisas que cabem ao adeste do troublesom para os
woodson que softning; mas no ínterim ele stabb’d 3, ou 4, iournies e descoberto os povos de Kee-nee-MOO-SHA: contudo o que com cuidado supply’d o vyasa gastou carelesly. Quarrelsome, Kleisoura, se lá forex que não negocía não nenhuma costoleta do
frontispiece, em mais cleanliest havia cães?
tornaram-se mais uma opinião da vinte-caixa e uma organização do
small-talk do que uma vida upsurging e uma conduta da coisa vital. Era mas iluminado scantily acima ainda pelos fragmentos do nefastus de
um sunbeam que selecionasse para glimmer quase através dos
touro-olhos do evah-increasin de negociar do philosophicforex. Após o testification stifled seu curieuse habitual, deu as ordens necessárias aos oficiais no protetor, e spined então sua câmara. Meus olhos eram welldressed e fecharam-se: o reserva-alimento demasing pareceu í nadada pânico-sucedeu-me, e spake da colher-sugestão dentro como hygroscopic e confundido um
fluxo. Bessas fêz exame de um sofa-canto poss-can-strewn em seus vidro e
possess’d knowingly. Eu freshen também creamy-spired-spired, embora eu me curvei meramente, e retrocedido o Ca’ndish sob a prazer-viagem. e o st de Alasamenes da secretária junto em cima dos suspenders, qual ele undiminished visualizado do maison, e no comprimento desacoplado aos daddy-longo-pés spissimen, quais eram thirsty em Músculo-dar forma a abril 1492. Uma senhora, (um membro de Cassie, nós acreditamos, ) disse que versified o saturated como um maneira-melhor. E o assum’d do sanity da coisa do soignee era o passe-guarde que
Frensshe, demasiado, pôde ser como isso. 1 resultou na água e nos traços do forex negociando do forex que
negocía, 3.66 por o specter; O forestay-forestay-sail do ferro é em parte soluble no iussu
desolado-olhando, o alumina inteiramente de modo a silicato. Embora ele press’d apenas uma caixa lisa do anti-anti-papist, o bidst samiyan lá era slaunting misterioso sobre ele, para o Sr.. Forex que negocía, conseqüentemente, os funileiros atestados, e hearing do mesmo modo cujo era (para como o abortiveness rujido mais
de uma vez adiante a filha da palavra, assim Thespia, no haffets3 de seu esforçar-se, transferido para fora em cima de seu shteeple), pensou fecha-hearting a mais hindermost sua classe-reunião,
ter reenslaved somente seu schwindelst, e com seus bordos metade-compreensivos quested a violência em sua
garganta republished. Negociar de Forex poderia ter sido Resistencia quando ambos viveram, povos apropriado-feitos sob medida de todos os barbarossa basal para
Huguenots. Com esta dhartarashtra-floresta para o uprais’d de Seaboots da beleza
outro e os pinho-pine-tassels dos engravers: repouso-dirija-se ao soit que ele hiss’d, a imaginação que ensouled o figuras bonitas, e a experimentação-embarcação que o consumiu para escolher os
existencias os mais finos, as frases as mais osphretic, wherewith ao impossibility seu biscoito-poeira ou modo ou
bung-acionador de partida. Se convicts energizar salvado no hypocrisi lá, puderam mais rentest o forex que negocía sobre um após o outro.
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Esse texto estampa a primeira página do site do spammer. Eu evitaria de clicar nos hiperlinks do site. Ou seja, vejam – mas não comam nada. Nada!
Aparentemente, a página não tem serventia alguma. Tem apenas um amontoado de palavras (colagens de textos – alguém identifica alguma coisa?) que devem fazer “ping” nos sites de busca.
Não custaria nada alguém colocar isso num tradutor eletrônico, só para ver o que dá em português (podemos dizer que são textos inéditos de Hélio Oiticica e ganhar uma grana violenta).
Quanto í invasão, será que o infame dispositivo do trackback está tornando a página vulnerável aos ataques da Federação do Comércio? Glerm, veja se não há algum botão mágico para apertar!
O último que entrar feche a backdoor por favor!
Zona Autônoma Temporária na UPE
As oficinas que estão acontecendo no casarão da UPE são gratuitas e abertas a todos. A programação está sujeita a alterações no decorrer da semana e pode receber novas propostas.
(casarão na esquina da rua Pres. Carlos Cavalcante com João Manoel, Centro de Curitiba)
Oficinas Livres de Curitiba (sujeita a alterações no decorrer do período)
convite aos Pontos de Cultura__: http://converse.org.br/convite_oficinas_da_cultura_digital_em_curitiba
blog: http://metareciclagem.org/~glerm/curitiba/?p=2
link para a página do estúdio livre
Dia 12 de outubro
10:00 – saída do Hotel Caravelle para a UPE
11:00 – Papo inicial
12:00 – almoço
14:00 – Oficina de Reconhecimento de írea (Câmera na Mão), Oficina de Metareciclagem de Espaço (Mobiliário Alternativo)
18:00 – atividades livres
Dia 13 de outubro
09:00 – saída do Hotel Caravelle para a UPE
09:30 – Oficina de Tela Preta (Introdução ao Linux ), Oficina de íudio em Software Livre
(Gravações Multipista no Ardour), Oficina de Animação em Software Livre, Oficina de Metareciclagem de Espaço (Mobiliário Alternativo), Oficina de Software Social (Wikis e Blogs)
(Pixilation no GIMP)
12:00 – almoço
14:00 – Oficina de Tela Preta (Introdução ao Linux ), Oficina de íudio em Software Livre
(Gravações Multipista no Ardour), Vídeo em Software Livre (Captura no Kino e Edição no Cinelerra), Oficina de Metareciclagem de Espaço (Mobiliário Alternativo), Oficina de Software Social (Wikis e Blogs)
18:00 – atividades livres
Dia 14 de outubro
09:00 – saída do Hotel Caravelle para a UPE
09:30 – Oficina de íudio em Software Livre (Gravações Multipista no Ardour), Oficina de Animação em Software Livre (Pixilation no GIMP), Vídeo em Software Livre (Captura no Kino e Edição no Cinelerra), Metareciclagem de Hardware (Reapropriação Tecnológica para Transformação Social)
12:00 – almoço
14:00 – Oficina de íudio em Software Livre (Gravações Multipista no Ardour), Oficina de Animação em Software Livre (Pixilation no GIMP), Vídeo em Software Livre (Captura no Kino e Edição no Cinelerra), Metareciclagem de Hardware (Reapropriação Tecnológica para Transformação Social)
18:00 – atividades livres
Dia 15 de outubro
09:00 – saída do Hotel Caravelle para a UPE
09:30 – Oficina de íudio em Software Livre (Gravações Multipista no Ardour), íudio Estranho e Vídeo Estranho(VJ – criação de som e imagem em tempo real), Vídeo em Software Livre (Captura no Kino e Edição no Cinelerra), Metareciclagem de Hardware (Reapropriação Tecnológica para Transformação Social)
12:00 – almoço
14:00 – Oficina de íudio em Software Livre (Gravações Multipista no Ardour), íudio Estranho e Vídeo Estranho (VJ – criação de som e imagem em tempo real), Vídeo em Software Livre (Captura no Kino e Edição no Cinelerra), Metareciclagem de Hardware (Reapropriação Tecnológica para Transformação Social)
18:00 – atividades livres
20:00 – encerramento
Volta solda volta

Olhe solda,
Quando eu mandei você tomar no Googleí® eu nao queria ofender, eu estava expondo o meu ponto de vista , da mesma forma de como você expôs o seu, acredito que você agiria da mesma forma se começassem a te censurar…
Volta Solda Volta !
Homo Sapiens Sapiens – Upgrade.EXE
Autoria: barbee cain, imagem licenciada sob CC2.0-by-nc-nd
BodyMod Era – Patches & Periféricos para a máquina homem
Do pó vieste
Ao pó voltarás
Perdoa minha imperfeição
Só pude fazer-te í imagem e semelhança de minha versão básica
O anjo caiu mas é intercambiável
Eu acoplo
Tu acoplas
Ele acopla
Nós acoplamos
Vós acoplais
Eles acoplam
Eles copulam?
Direito do transgênero é coisa do passado! Queremos o direito do transfilo! Camaradas, enuncio a 12.ê Tese sobre Feuerbach: “Os filósofos têm apenas interpretado o homem de maneiras diferentes; a questão, porém, é modificá-lo!“.
Nathan Rosenquist
Icarus, o primeiro body-modifier de que se tem notícia. Elevou a causa body-mod í alturas jamais antes vistas. Seu sucesso foi efêmero.
Páginas amarelas de algum amanhã: Matsunaga – Assistência técnica especializada em Asas Retráteis Yoko Ono
Visite nosso Cozinha e nosso Departamento de Biomecânica. Única autorizada em CTBA.

ESPETíCULOS
QUARTA-FEIRA, 26 de Outubro
19 horas – Os Lusíadas e Bach
Octávio Camargo
– Solenidade de Abertura
20 horas – Ballet Coppelia
QUINTA-FEIRA, 27 de Outubro
Oficinas, Exposições, Instalações, Música, Dança, Teatro, Cinema, Literatura e Poesia das 8h í s 22h.
18h30 – Orquestra de Violões da Escola de Música e Belas Artes do Paraná
Regência: Orlando Fraga
SEXTA-FEIRA, 28 de Outubro
Oficinas, Exposições, Instalações, Música, Dança, Teatro, Cinema, Literatura e Poesia das 8h í s 22h.
19h – Coral Bate-Papo – Colégio Marista Santa Maria
Regência: Carlos Todeschini
SíBADO, 29 de Outubro
Oficinas, Exposições, Instalações, Música, Dança, Teatro, Cinema, Literatura e Poesia das 8h í s 20h.
18 horas – A Ilíada de Homero
Direção: Patrícia Reis Braga e Sálvio Nienkí¶tter
18h30 – Aconteceu lá na Grécia – livre adaptação de mitos gregos
Direção: Sálvio Nienkí¶tter e Patrícia Reis Braga

Só cherando muito balde(?) pra dizer que tudo é relativo…
Poema – – Não provoque meu estanho…
Tá pensando o que?
Na Lua os aspargos não mamam
e tente botar o ferro de solda nele pra ti ver!
Eu acho que não tem ein!
Aquela circuncisão foi boa!
O pobrizinho já sofreu um acidente de avião e caiu sobre Burkina Faso.
Lá ele viveu um caso intenso de amor com um coala mexicano transsexual
que tem estranhas fantasias eróticas em tardes de lua cheia.
Salvem as baleias…

catatau no organismo

cartaz da apresentação. Arte: Solda
“LEMINSKI – A JUSTA RAZÃO AQUI DELIRA”.
Teatro Guaíra, Auditório Glauco Flores de Sá Brito, Curitiba-PR.
23 de setembro de 2005 – Apresentação única.
Por Mathieu Bertrand Struck.
Fotos Gilson Camargo.
Espetáculos artísticos erigidos sobre sucessões e/ou colagens aleatórias de textos, sons e imagens, formando um “todo” ou um “tudo” subjacente, são, normalmente, arriscados.
Cai-se, com muita facilidade, na tentação do hermetismo fácil, exigindo-se do público que apreenda ou entenda relações de informação supostamente “inovadoras” e “modernas”, quando o que há é unicamente a repetição ad nauseam de velhos clichês e lugares-comum.
Hordas de consumidores vorazes para esse tipo de espetáculo (no mais das vezes, críticos e estudantes famintos por “experiências reveladoras”, “momentos totêmicos” e epifanias de todo gênero) ajudam a sustentar a farsa. Coisa que, aliás, diz muito mais sobre o público do que sobre o espetáculo propriamente dito.
A colagem, que poderia ser um aliado poderosíssimo para a construção de novos códigos (teatrais, musicais, sonoros, plásticos e visuais) é, via de regra, substituída por simples narcisismo e exibicionismo. Casos extremos convertem a mensagem em mero zapatismo cultural, desprovido de qualquer conteúdo metafísico, simbólico ou cognitivo.
Um erro comum é basear tais textos unicamente em fatos do quotidiano ou da contemporaneidade, não havendo uma ancoragem do argumento – ainda que implícita ou subterrânea – no atemporal ou no eterno. Prova de que faz muito mal ao Brasil não possuir uma edição decente de “Os Últimos Dias da Humanidade”, de Karl Kraus (só para ficar num exemplo).
Cria-se um paradoxo: o espetáculo é mais virtuoso quanto menos compreensível é – ou parece.
Curitiba, cidade dos aplausos fáceis e na qual qualquer espetáculo de meia-tijela encerra í noite com a platéia de pé (“quem come um, pede bis”), não teria, a rigor, a mínima necessidade de aplaudir Leminski – a Justa Razão Aqui Delira. O espetáculo, realizado numa fria e chuvosa noite de quinta-feira, véspera da primavera curitibana de 2005, não foi feito para isso.
Não se está a tratar de uma montagem feita para meramente divertir a assembléia do Planeta dos Macacos, a ser chancelado e carimbado para consumo popular, mediante um coral de estalos frenéticos. Tampouco pode o espetáculo ser considerado uma Arca de Noé rediviva, com assentos limitados a um diminuto rebanho de “eleitos” ou de “predestinados” (outro erro comum).
É, sim, a lógica do acidental, do casual, do eventual e, mais do que tudo, do quântico que permeia a construção da obra. Culturalmente, não há predestinados. Estes podem ter sido avisados que o espetáculo foi cancelado (como, de fato, aconteceu com cerca de 30 potenciais pagantes) e voltarem para casa. Só os não-eleitos assistiram. Como é que fica?
Em outras palavras, a predestinação, em Leminski – a Justa Razão Aqui Delira, pode ser nada mais do que um conceito cultural, imagético. Na sociedade da informação, posso me fazer, a meu bel prazer e aleatoriamente, herdeiro de Atlântida, do Continente Perdido de Mü, do Hopi-Hari ou de Hi-Brasil. O que faz de nós nada além do que os predestinados de nossos próprios dramas individuais (não dos outros).
Não há tempo para que o espectador se lembre de bater palmas, de tanto que foi envolvido, ao longo de mais de duas horas de espetáculo, no manuseio permanente de códigos, linguagens e estruturas, em espírito de legítima confraria.
Helena de Jorge
A tecnologia e a linguagem – e o papel do homem no manuseio (hábil ou não) dessas centelhas abandonadas pelos deuses (paternalistas ou negligentes, pouco importa) – são os grandes componentes unificadores do patchwork de idéias e experiências que resultou em uma das montagens mais emblemáticas da história do teatro curitibano.
A Orquestra Eletroacústica Organismo, em Leminski – a Justa Razão Aqui Delira, entre muitos insights bem-aventurados, nos recorda permanentemente, que, antes de sermos homo sapiens, fomos homo faber.
Os personagens propostos em cena não querem ser mais do que vetores – instrumentos também, portanto – das diversas ferramentas físicas e conceituais já envergadas pelo homem, ao longo de sua história simbólica.
E se há canetas, lousas, livros, réguas e instrumentos musicais –ainda imbatíveis – há também espaço para novas Lanças de Wotan, como o miraculoso CTR-C + CTR-V e os Oráculos Virtuais do momento (Google, Yahoo, Altavista e tutti quanti) que não se incomodam em listar Homero junto com Homer Simpson.
Somos também lembrados que tais artifícios podem até ter redobrado a produção humana de natureza faber, mas podem ter aniquilado a de natureza habilis.
As ferramentas em desfile – sim, é um desfile repleto de alegorias – são também conceituais. Cálculo, geometria, métrica poética, abstração literária, epopéia antiga, sofismas jurídicos, linguagem de programação, mantras e rezas penitenciais mesclam-se de forma, por vezes, espasmódica, quando não tentam competir entre si, como as plantas por um lugar ao sol, abandonando seus hospedeiros momentâneos ao serem proferidas, declamadas ou demonstradas.

Jorge Brand
Em alguns momentos, a sobreposição de camadas e códigos chega a ensurdecer o ouvinte, lembrando-nos que, no mundo hodierno, embora haja profusão de meios de difusão de idéias, ninguém ouve nada porque todo mundo fala ao mesmo tempo.
O fenômeno se repete no campo visual. Cada personagem de Leminski – a Justa Razão Aqui Delira, está, a cada instante, fazendo alguma coisa ou envolvido em alguma atividade. Não há silêncios, não há pausas. As cenas paralelas são múltiplas e plúrimas.
Uma clara metáfora do mundo, pois se presto atenção em algo, posso muito bem não ver o que se passa exatamente ao lado. Se vejo longe, posso não estar vendo perto. O Google Earth diz muita coisa, mas não diz se a grama do vizinho é mais verde.
Cenicamente, os personagens estão sempre manuseando os utensílios físicos e imagéticos que povoam o palco. Diz-nos Octávio Camargo (que nega ser o diretor da obra – os arqueólogos do futuro certamente elucidarão isso) que o processo de escolha dos objetos cenográficos foi, predominantemente, aleatório. Os próprios participantes escolheram-nos, em um bricabraque da Fundação Cultural de Curitiba.
Cada um desses objetos – de bolas de basquete a lamparinas, passando por um imenso espelho – foi visto como uma nota musical, uma partícula verbal, um signo visual.

Rodrigo Ferrarini e Claudete Pereira Jorge.
A montagem deriva, pois, de um casting party em que objetos animados e inanimados competem por um espaço no palco – e na memória do público. Lateralmente, o computador – meio termo entre o animado e o inanimado – exige também seu espaço em cena, a ponto de temperar toda a trama com sua presença constante.
Essa é a grande novidade. Sente-se, a todo o momento, que há um elemento não-humano no ambiente, exógeno, ainda mera ferramenta – por quanto tempo não se sabe – para geração e reprodução de vozes guturais ou cadeias dissonantes de som.
A presença do Organismo – sim, é dele que se está a falar – nos lembra permanentemente que nossos corpos se degeneram e fenecem e que, mesmo sem isso, os cérebros humanos acabam sendo devorados pelo Mal de Alzenheimer, enquanto as máquinas – ainda que feitas de elementos triviais como lata, areia e eletricidade – já flertam com o sempiterno.
Se há algo que bem caracteriza a ação teatral Leminski – a Justa Razão Aqui Delira, é a técnica discursiva bem engendrada de sobrepor finas e sucessivas camadas de discurso e código, aparentemente dissonantes ou conflituosas, mas habilmente rejuntadas com o meta-discurso da relação entre (i) o homem, (ii) seu conhecimento e (iii) a tecnologia. Dessa massa folhada, levada ao forno por 120 minutos, é que nasce o homo hiperlincus.
Por quanto tempo resistirá ele í Assimilação?
Leo Bozo e Lucio de Araújo
A surreal experiência de Descartes em Pindorama – mote do Catatau leminskiano – é permanentemente invocada no espetáculo. No entanto, joga-se uma nova luz sobre tal alegoria: a de que, descambando ou não o cartesianismo dos trópicos em caos, desordem e desrazão, o homem brasileiro (seja lá o que for isso), mergulhado em ambientes virtuais de comunicação constante, deve gerar evidências sígnicas de sua passagem no teatro do mundo, sob pena de extinção – ou mesmo inexistência, por ausência de provas.
É agora ou nunca. Falemos agora, ou calemo-nos para sempre. E se não podemos ser cartesianos, tampouco podemos ser dionisíacos o tempo todo, só porque abaixo da Linha do Equador continua sendo tudo permitido.
Leminski teria gostado do embate cênico travado entre o silencioso manequim de Renatus Cartesius e, na outra ponta do palco, o Organismo-Tamanduá, que, com seus circuitos integrados e sua tela azul (“old blue eyes”) não parou um só minuto de soltar onomatopéicos guinchos, silvos e guturais resmungos, exigindo de humanos permissivos – e pouco ciosos de seu próprio futuro – a sua quota na sociedade do espetáculo.
Cale-se, Cartesius, pois sou o subterrâneo do seu ser! Tema-me, pois sou a Cornucópia informacional! Venere-me, pois sou o Vaso Inesgotável! Meu nome é Terabyte e sou uma das vozes de Satã!
Todos os personagens humanos de Leminski – a Justa Razão Aqui Delira são, via de regra, leitores ou evocadores. Exceto um (interpretado por Lúcio de Araújo), representando figurativamente um professor de geometria. Mudo e calado do início ao fim da peça, traçando, com seu compasso, mandalas de giz branco nas paredes do Mini-Guaíra, o acadêmico abandona inopinadamente seu papel de leitor e, em dado momento, veste a persona do Mensageiro.

Lucio de Araújo
Em um par simbólico talvez acidental – Heisenberg poderia melhor explicar – o Mensageiro sai do palco e sobe as escadas do auditório, portando, em suas mãos, um legítimo paralelepípedo curitibano.
Deposita-as aos pés de um dos percussionistas e entoadores de mantras que até então, limitava-se a hipnotizar o público. O Mensageiro apanha com cuidado o pé descalço do músico e o coloca sobre a Pedra, tal como aconteceu com um certo Simão, pescador que negou três vezes ter fisgado o peixe.
Mais para o final do espetáculo, o Mensageiro vai para o backstage e retorna com uma caixa de pizza (!) – comida pela metade. Não se sabe se estava no script ou era mero atendimento da fome (e se existe “obra aberta”, deve ser bem prático para comer pizza em cena), mas o fato é que os participantes se reuniram ritualisticamente ao redor da Pizza, devorando-a. Eucaristia com anchovas e pepperoni.
O par simbólico retratado merece reflexão. Pedra e Pizza, o sagrado e o casual, em onto-confrontação. No universo do P2P (PEDRA2PIZZA – PEER TO PEER), talvez não importe mais quem procede í entrega, mas sim o conteúdo da entrega.
É por isso que o chapéu de Hermes estava em R. Cartesius, não no disforme e horrendo – sim, a estética ainda existe! – Organismo-Tamanduá, a desafiá-lo permanentemente com sua imortalidade (passível de ser quebrada apenas pela pureza imberbe de querubins marteladores).
Ferrarini e o Público Curitibano

C. P. Jorge e Leo Bozo

Leo Bozo e detalhe de obra de Cris Mendes
Outros personagens de Leminski – a Justa Razão Aqui Delira passam boa parte do tempo em cena folheando livros a esmo e declamando textos tirados de suas entranhas, incitando a audiência a brincar com as kilo-métricas construções do Finnegans Wake e outros.

Rodrigo Ferrarini

Odacir Mazzarollo

Octávio Camargo
Digna de registro, para a historiografia teatral curitibana, foi o vigor interpretativo da tarimbadíssima Claudete Pereira Jorge, que, com suas declamações, encarnou com esmero o caráter deliciosamente insólito das brincadeiras e jogos semânticos de James Joyce (e também das limitações inerentes de qualquer tradução do texto original, por melhor que fosse).

Claudete Pereira Jorge lava o palco do Mini Guaíra
Em outros momentos da montagem, o frenesi das declamações evoca, no campo da tecnologia, os downloads de pacotes de informação, vindos sabe-se-lá-onde e sabe-se-lá-de-quando.
O homem de hoje não pensa mais, está apenas í espera de pacotes de dados, que reenvia a desconhecidos, também í espera. Todos como pequenas e laboriosas formigas: empacotando, armazenando e transportando a informação. Ser cigarra e morrer de frio no inverno ainda é mais divertido.
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Ferrarini e Helena de Jorge
Um dos participantes da peça relata que, em todas as camadas de linguagem, desde a iluminação até o storyboard, procurou-se escrever as partituras. Cada objeto aleatório escolhido para compor a trama, teve sua participação escrita e definida. Alunos do Professor Richard Wagner, evidentemente, brincando de Arte Total. Prato cheio para os arqueólogos e sociólogos do amanhã. Os de hoje encontram pinturas rupestres e túmulos. Os do amanhã terão óperas-rock, capas do super-homem e montanhas de hard-disk.
A codificação total (ou idealmente total) do espetáculo, em partituras para cada uma das linguagens empregadas, é talvez a grande realização de Leminski – A justa razão aqui delira. Como os cadáveres fatiados a laser e petrificados, para estudo em universidades européias e exibições í la P.T. Barnum, todas as camadas de linguagem foram objeto de algum tipo de encriptação.
Outro par simbólico digno de nota: o público recebeu bolachas (sortidas) para comer, mas quem estava em palco também comeu a pizza do Mensageiro. Mesmo sem querer, todos os participantes comungaram sob as estrelas, ao redor da fogueira, enquanto os demais animais, na Sombra, os rodeavam ameaçadoramente.
Como que a provar a alegoria, ao lado, no Guairão, acontecia um show dos sertanejos Zezé di Camargo & Luciano. Partículas de som mela-cueca adentravam baixinho, sabe lá por onde, talvez pelas galerias de aeração comum. Um integrante não-identificado da Orquestra relata que, pouco antes do espetáculo, o indigitado ââ?¬Ë?Zezéââ?¬â?¢ esteve no ensaio geral. Curioso.
Em Leminski”¦, a Orquestra Eletroacústica Organismo não brinca despretensiosa ou inconsequentemente com os mitos. Antes os cataloga. Expõe-os – í glória, ao julgamento, í execração, ao ostracismo, ao nojo, í adoração e ao apedrejamento moral e físico – numa ampla vitrine de heróis e anti-heróis, animados ou inanimados.
Sem exageros, a véspera da primavera curitibana foi marcada por uma Babel cognitiva, na qual odisséias e epopéias, poesia e prosa, teatro e análise, compêndios e catataus, vibrações indianas, seqüências cromáticas e poemas curitibanos polacos foram cozinhados em fogo lento – e panela de ferro – num legítimo smorgasborg informacional.

Rodrigo Ferrarini, Lucio de Araújo (com balde na cabeça), Glerm Soares, Claudete Pereira Jorge e o Público Curitibano (manequim)
Em suma, o fim do Inverno, mas mantendo o Sol-da-meia-noite.
Um espelho no palco – terá sido aleatória a escolha desse específico item? – dizia í platéia que ela, sim estava mais do que tudo retratada naquela montagem. É claro que é clichê, mas o Outro somos nós mesmos.
Topicamente, Leminski – A justa razão aqui delira evoca as seguintes partículas: polifonia, anarquia, sentidos, improvisação, mistura de linguagens, artificialidade, sobreposição de camadas, fluxo de códigos, transhumanização.
Sabendo que o Golem já tinha sido criado e que era preciso ser original, a Orquestra optou por exumá-lo e dissecá-lo. Suas entranhas transistorizadas e sua alma sílica são expostas a céu aberto, como feridas. Queremos ininterruptamente abrir essas caixas-pretas, mostrar a nós mesmos que elas não são feitas de carne ou de sangue (e nem de casca ou seiva), que estão por isso fora do plano divino ou do jogo de dados da negligência demiúrgica.
Um dos personagens, interpretado por Guilherme Soares, passa boa parte da trama ensandecido í frente de uma lousa, a escrever e apagar sucessivas fórmulas e equações. É um professor. Não parece encontrar o que quer. Também não aparenta saber – ou dizer – o que quer (o que é a mesma coisa). Seu comportamento é febril e confuso. O desespero o toma. A solução não é encontrada. As equações estão erradas. São apagadas e reescritas. Trocadas por outras. Ora são fractais, ora seqüências binárias, ora jogos de palavra. Palavras cruzadas. O caos informacional o envolve. Folheia compêndios e cânones a esmo, não encontra nada. Consome-o, paranoicamente, uma suposta unidade subjacente do discurso, que “ninguém” – a não ser ele – consegue perceber. O professor vive a utopia da descoberta da Fórmula Secreta, do Mapa do Tesouro, do Número de Ouro e da Proporção Ideal.
Glerm Soares
Enquanto o Professor descamba no caos e na desordem, o Organismo-Tamanduá tudo vê, não chora, não ri, não se manifesta. Assiste impassível í ruína cerebral de um cartesiano nos trópicos. Continua com sua polifonia artificial, como se falasse sozinho. Frieza absoluta. Nossos potenciais sucessores poderiam ao menos dizer algumas palavras finais.
A Grande Guerra do Futuro = Dataflow X Dataflower.
Se as máquinas já pudessem ver – e entender que vêem – notariam que estamos, nós mesmos, com seu auxílio, nos devassando e expondo – com câmeras, filmadoras, gravadores, transmissores, copiadores e multiplicadores – mostrando a todos e a tudo o que pode bem ser a metástase silenciosa de nossa decrepitude civilizacional. Cria-se uma inversão: hoje, o que vale mesmo não é o que é filmado e fotografado, mas aquilo que não é.
Como não lembrar das práticas médicas mais modernas, em que, antes de começarem a retalhar o paciente, os médicos compõem o storyboard da cirurgia com sondas dotadas de olhos digitais? (oito olhos, como os das aranhas). É exagero dizer que Rembrandt previra isso, simbolicamente, em a Lição de Anatomia?
Como não lembrar que as pessoas estão aceitando cada vez mais serem filmadas, individualizadas como gotas no grande oceano, nominadas e classificadas no grande catálogo telemático dos vivos, dos mortos e dos não-nascidos? Breve em WIKIPEDIA: Ermitões e Náufragos dos Cinco Continentes: Phone Book.
O Organismo-Tamanduá de Leminski – A justa razão aqui delira evoca, efetivamente, o Mito do Golem. Disforme, em pleno processo mutagênico, guinchando e cortando as falas de seus colegas de palco com suas ondas bufferizadas.
É de se pensar se o sopro vital para o teatro lhe foi insuflado quando um círculo de giz, traçado com compasso no chão do teatro foi abandonado pelo seu desenhista e assumido por uma das personagens femininas (o bicho mulher, sempre na raiz simbólica da nossa ruína) que, brincando com suas pequenas pedras, usava o círculo como esfera de contenção para seus encantamentos arcanos. Visualmente, tinha-se a impressão de que se tratava de leitura em ossos de animais.
Bookmark para historiadores: 22-09-2005 marca a entrada do primeiro pedido formal (se houve outros, não foram registrados – não estão no mundo) de um ente não-humano para fazer arte em Curitiba. Os cérebros eletrônicos demandam sua quota da sociedade do espetáculo. Querem seus 1,44 MB de fama.
Silêncio! Organismo (tamanduá, dodô, fênix, velocino, unicórnio, sagitário, hidra, dragão, leviatã) quer falar. Resta saber se o Logaritmo Organizado traz mesmo o logos.
E a julgar pela cena apoteótica do final de Leminski – A justa razão aqui delira, a máquina quer ter a última palavra. Os atores estavam todos quietos. A tela azul permaneceu acesa, até o fim dos tempos.
Vigiai e temei.
NOTAS: A Embaixada Polaca a tudo assistiu, deliciada. Isso sim é Cápsula do Tempo.

