” (…) O problema tem a ver com o fato de que as “verdades” da moderna visão científica do mundo, embora possam ser demonstradas em fórmulas maetmáticas e comprovadas pela tecnologia, já não se prestam í expressão normal da fala e do raciocínio. Quem quer que procure falar conceitual e coerentemente dessas “verdades”, emitirá frases em que serão “talvez não tão desprovidas de significado como um “círculo triangular”, mas muito mais absurdas que “um leão alado” (Erwin Schrí¶dinger). Ainda não sabemos se esta situação é definitiva; mas pode vir a suceder que nós, criaturas humanas que nos pusemos a agir como habitantes do universo, jamais cheguemos a compreender, isto é, a pensar e a falar sobre aquilo que, no entanto, somos capazes de fazer. Nete caso, seria como se nosso cérebro, condição material e física do pensamento, não pudesse acompanhar o que fazemos, de modo que, de agora em diante, necessitaríamos realmente de máquinas que pensassem e falassem por nós. Se realmente for comprovado esse divórcio definitivo entre o conhecimento (no sentido moderno de know how) e o pensamento, então passaremos, sem dúvida, í condição de escravos indefesos, não tanto de nossas máquinas quanto de nosso know-how, criaturas desprovidas de raciocínio, í mercê de qualquer engenhoca tecnicamente possível, por mais mortífera que seja”.
ARENDT, Hannah. A condição humana. 10. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2007. p.11
Retiro

Logo naqueles primeiros dias do ano eu entrava em depressão profunda. Um psiquiatra tratou-me até meados de fevereiro, quando determinou que me internasse no Hospital Psiquiátrico Bom Retiro; já que continuava e se aprofundava a depressão agravada agora pela inclinação ao suicídio.
Lá chegado, em acolhedores sorrisos os plantonistas meteram-me na Ala Greca daquele Hospital. Minha namorada temia por mim, insistia que bastava que receitassem remédios, ela me vigiaria em casa mesmo. Mas, os afáveis plantonistas peroravam: “fica tranqüila moça, nesta ala é só particular ou plano de saúde, não atende pelo SUS, fica tranqüila moça”. Entrei.
As instalações prometiam. Corredores largos revestidos do piso ao teto com pastilhas de boa qualidade. Quartos, mesmo que um pouco tristes, mas, com apenas duas camas individuais em cada um, um banheiro para cada dois quartos et cetera.
O truque lá era dificultar a Alta:
A alta só era fácil quando quem tivesse internado o doente a pedisse. Porém, invariavelmente, esses eram persuadidos a prolongar o internamento. Habilmente falam-lhe da “gravidade” do caso, das melhoras já alcançadas etc. O motivo do engodo era o alto lucro que o hospital obtinha por cada dia de internação.
Assim que entrei recebi um crachá. Destacava-se nele um número “1”. Para obter alta precisaria alcançar o “5”.
A classificação “2” foi fácil conseguir, contudo, para merecê-la, tive de comprometer-me a limpar o chão do refeitório. Deprimido que estava, aceitava tudo.
A classificação “3” obtive pela boa conduta (não há deprimido que não seja dócil e – eu ardia já pela alta). Porém, aí as tarefas se multiplicaram: obriguei-me a limpar o refeitório em 3 das 4 refeições (péssimas) servidas e varrer um pátio. Tive ainda de cuidar, em horários alternados com os demais colegas de “3”, da portaria interna que dá para aquele pátio.
Eu então era “guarda” de pacientes que não haviam alcançado o “3”, e que, portanto, deveriam ficar confinados ao corredor. Ser hierarquicamente superior a pacientes com comprometimento psiquiátrico me gelava. A tal Ala Greca deveria atender apenas deprimidos ou eufóricos, mas, efetivamente havia de tudo lá.
Observei que quem alcançava o nível “4” ficava tão atarefado que raro era vê-lo parado ou andando. Geralmente estava correndo, azafamado por dar cabo das tarefas exigidas. Sabiam que para sair daquele inferno era esta a única maneira. Qualquer vacilo e algum funcionário o rebaixaria o número.
O castigo físico como mantenedor da ordem
Caso um médico, uma psicóloga, uma enfermeira ou uma servente viesse a sentir-se ofendid(o)a com qualquer palavra ou ato do paciente, poderia tocar uma campainha e, ato-contínuo, vinham oito pessoas que formavam um grupo eufemisticamente denominado: “grupo de ajuda” e faziam o que eles chamavam de “contenção”.
A contenção consistia em amarrar o paciente í cama, de maneira que ele não pudesse fazer nenhum, nenhum movimento com o dorso ou membros. Mal comparando, seria o equivalente a uma camisa-de-força associada a uma “calça-de-força” e ambas rijamente atadas í cama. Isto feito, eles o largavam lá, de castigo, por até seis horas ininterruptas (o mínimo eram duas horas). Soube mais tarde que no SUS os pobres diabos ficavam por até 24 horas “contidos”.
Ora, se algum interno entrasse em surto e ameaçasse a própria integridade física e/ou a dos demais em volta dele, este procedimento seria aceitável, necessário até. Mas, ao contrário, só o via sendo aplicado como castigo moral. Geralmente causado por algum palavrão que eventualmente havia escapado dentre os dentes de um infeliz que não percebeu atrás de si uma auxiliar de enfermagem, uma faxineira ou quaisquer que as valham.
Era chegada a minha vez
A minha contenção se deu por outro motivo. Havíamos sido levados a uma sala onde uma psicóloga nos aplicaria a “terapia ocupacional”.
Quando percebi que a “terapia ocupacional” consistia-se em colorirmos uma figura que nos era fornecia desenhada, julguei-a excessivamente pueril. Resolvi virar a página e escrever um poema no verso do tal desenho.
Como naqueles últimos dias eu havia visto colegas “contidos”, escrevi um soneto, onde lamentava este tipo de procedimento. Achei que assim, com fumos de arte, poderia criticar a instituição.
O pus num mural destinado aos internos, onde só constavam alguns lugares-comuns de cunho evangélico. Aí me empolguei, e, uma vez no quarto, escrevi outro texto no qual fazia reclamações dos trabalhos aos quais éramos sujeitos. Li este último em voz alta na refeição seguinte, como que concitando os colegas de martírio a reagir ou, pelo menos, refletir: pagaria caro por tanta ingenuidade.
Por acaso, não havia muito, eu havia ficado impressionado, nauseado mesmo, ao ler em O Tempo e o Vento de Érico Veríssimo, essa forte passagem:
“… há muitos, muitos anos um Caré roubou um cavalo dum Amaral. Para castigar o ladrão o estancieiro mandou seus peões costurarem o pobre homem dentro dum couro de vaca molhado e deixarem-no depois sob o olho do sol. O couro secou, encolheu e o Caré morreu asfixiado e esmagado.”
Mal sabia que passaria por “quase” isso:
Oito trogloditas me amarraram í cama, entretanto, o fizeram com uma tensão absurdamente acima da usual. Ou por ver em mim um perigo, ou por estarem estressados com o fato de que eu não me calasse durante a operação, a exigir uma explicação para o que estava acontecendo, ou ainda porque a psicóloga fazia sinais com a mão direita “como quem estivesse a parafusar o ar com uma chave de fenda fictícia” instigando-os.
Lá fiquei por três horas amarrado, tendo severamente limitada í respiração. Meu peito e meu diafragma estavam inteiramente comprimidos. A única respiração possível era aquela curta e rápida, como a de um cachorro em dia de verão.
Lastimava o Caré do Veríssimo. Pensava nas histórias de “enterrados vivos” que ouvira na infância… Fui internado para que não me suicidasse e estava agora sendo exterminado lenta e perversamente?
Repercutiam-me as gargalhadas dos trogloditas que me amarraram: imagens fantásticas se me afiguravam e explodiam coloridas no ar, ouvia os gritos baldios do Caré, podendo jurar que ele jamais havia roubado cavalo algum, quanto mais daquele canalha do Velho Amaral. Via-me já num esquife.
Depois, voltando um pouco í razão pesava: na última hora estes crápulas me salvam. Não vão querer enfrentar a polícia e a imprensa por minha causa.
Quando estava amarrado havia 15 minutos aproximadamente, veio uma enfermeira e sem proferir palavra tascou-me duas injeções na parte anterior da coxa direita, meio que por cima das ataduras. Negou-se a dizer do que se tratava. Talvez fosse apenas de “efeito moral” para causar a dor de tomar duas injeções praticamente no osso da coxa. Se fosse calmante eu deveria sentir o efeito, mas não senti.
Depois de mais de uma hora entrou no meu quarto um paciente, o amigo Jair. Arregalou os já grandes olhos azuis e (como se isso fosse possível) gritou sussurrando: “Cara, … tá loco!? Cê tá roxo pra caralho…”. Por sorte minha, ele – mesmo arriscando o “4” que tinha no peito – ousou mexer nas ataduras e diminuir quanto pudesse a pressão. Pouco me valeu tanta coragem. Continuava muito, muito comprimido e ofegante.
Até hoje, quando me vem a imagem daquela psicóloga que me ordenou a contenção, um instinto primitivo emerge de não sei onde. O primeiro texto que escrevi ao voltar pra casa era impublicável, era mesmo mais um vômito que um texto. Decidi deixar passar o tempo para que amainasse o espírito.
Estava naquela condição e nenhum enfermeiro, muito menos um médico ou psicóloga me aparecia. Porém, não deslembraram de reduzir o “3” que eu havia alcançado para “1”.
Logo que fui desmaneado, sem sequer levantar os olhos a quem me dirigia a palavra eu ia obedecendo, cega e covardemente, aterrorizado pela hipótese de ser “contido” novamente.
Ainda neste dia, ao final da tarde, minha namorada promoveu a “alta a pedido”, sob os argumentos e ameaças do costume.
Neste mesmo dia houve uma fuga (o Thiago). Enquanto outro paciente (o Casa-Grande) com celular emprestado tentava alta através do 190 da polícia, pobre infeliz.
“nel mezzo del cammin, di nostra vita” Aprendi, sentindo na pele, o óbvio (quase um anexim): se você entra são no hospício: sai louco. Se entra louco: sai com um comprometido psiquiátrico muito maior do que tinha quando entrou. Se você entrar lá por um diagnóstico relativamente comum (depressão) e ficar o período mínimo que eles exigem (trinta dias) vai virar freguês, et factum est.
Fiquei com a impressão de que os hospitais psiquiátricos, absolutamente, não servem para e nem buscam curar. Servem para “proteger a sociedade” dos depressivos ou maníacos ou esquizofrênicos; mantendo-os presos. Os pacientes lá mais que receber um tratamento cumprem uma pena.
A tal Psicóloga, no dia seguinte, na “terapia de grupo” me pediu para retirar os textos que pus no mural. Os tirei. Mas, mesmo assim, uma hora depois começara o meu martírio.
Sálvio Nienkí¶tter
toque mais uma sam…..
isso.
toque mais uma sam.
estou aqui, parado, com a boca escancarada, cheia de dentes, de saco cheio e vc não toca?
onde estão as mulheres? como assim, música contemporanea paranaense sem mulheres?
ei, vc, vem aqui! tá faltando mulher na fotografia!
não posso ir não moço… tô aqui trabalhando!
ahm…. então tá… então corta e comecemos de novo!
e o loop loopa indefinidamente.
http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=1930
[]motivo-cortejo-sabado-19hs-cavalo-ordem-
homemnu-10pontospraler-peçasmuitaspeças-
24.03.2007venha? �¼bberbispos
papapapapai-andante-intencional-
nãochamardealegorias
-ou-fantasmas-
fui-voltei-nem
-me-viu
você lê esse “blog”? participa deste “trabalho”
regularmente?
qual o motivo?
favor comentar?
e se a forma acabou, o motivo acabou, pra que lado correr? salvar, salvar-se ,salvar-nos?
compareça em um encontro no largo da ordem, curitiba, no cavalo que bebe(?) água esse sábado ás 19 horas.24 de março.
salve salve em trabalho em salve

( Arthur Bispo do Rosario
Macumba
Metal, yeso, madera, plástico, cartón. 193 x 75 x 15 cm.)
braços e abraços
entredobrados
a curvatura da galáxia
o centro
o olhar estrelado
em descaso
frida kahlomacacos
papagaios
milhões de galos
a torção do próprio
braço
olhares que
acalmam
mergulhar
no próprio
abraço
encostar 2d
a sombra do infinito
é branca
é negativo
é dia positivo
a lucidez
que nos mantém
espertos
unidos
ativando
os sentidos
amigos
entretidos
í vivência do escuro
faróis
e luares
e lembranças
a mais doce esperança
a mudança
de freqüência
e tonalidade
como a música lenta
piano e violão
que encanta
e pausadamente
nos levanta
dos lugares
sombrios
nos erguemos do
chão
nos aproximamos
do cristal
o solo
é o seio do planetatelúrica idéia
que surge
única
o que nos move
a fibra numinosa
que nos une
luminosa sorte
iremos sempre
duvidar
mas nada vai nos tirar
da idade adulta
e da responsabilidade
de nos cercamos de signos
sóbrios
silvos internos
muito mais sólidos
cantaremos os mesmos
verbos
cultura enteorgânica
cidades paralelas
conexão
nuvem-subsolofecha-te
ilumina-te
a luz minha
é a mesma que está na avenida
todos passam nessa vida
os bulbos
e as figas
só fica a energia
côrtes de arroz
poeira
descida
a energia que te liga
não é desta vida
nada
é esta
vidaa energia que te liga
o farol
justiça eterna
tudo
viver
entre lençóisGuilherme Pilla
in mondo guigui
4 operações – tabuada serial – desenvolvimento 1
A série inicial, decidida por sorteio entre três pessoas, Lucio, Glerm e eu, cada um dizendo uma nota sem muita antecipação determinista, gerou o seguinte algoritmo (dado que este conjunto de notas se realiza temporalmente sempre na mesma sequência) de alturas (pitches): si – fa# – mi – sib – do – fa – do# – sol – re – la – sol# – ré#. Utilizamos o conjunto universo das notas da escala cromática fazendo abstração das diferentes relações entre sustenidos e bemóis, de acordo com o conceito de enarmonia.
Sobre esta abstração projetamos uma primeira escolha pulsional: as estruturas rítmicas dos motivos a, b e c. Após esta primeira decisão, e aplicando estes mesmos motivos í s 4 formas primitivas da série ( – Original (P) – Retrógrada (R) – Invertida (I) – Retrógrada Invertida (RI) – ) obtivemos as 4 variações possíveis para cada fragmento. Esta amostragem se constituiu num primeiro material de improvisação para o grupo de músicos (Helinho Brandão – sax, Sergio Albach – clarinete, Glerm Soares – microfones, rádio transmissão via web e computador, Richard Rebello – texto ilíada, Daniel – vibrafone, Ricardo Mardock – contrabaixo, Octavio Camargo- piano, e Gabriel Schwartz – flauta) que gerou a faixa de áudio que pode ser acessada no post abaixo – sériecontrato, em ogg ou mp3.
Esta primeira derivação, como gesto inicial, teve por objetivo demonstrar o tipo de variações que a serie oferece como estrutura fechada. Utilizamos aqui os preceitos da musica dodecafônica como foram expostos por Arnold Schoenberg (Escola de Viena).
O proximo passo que daremos em breve, é o de repensar a série sob sua potencialidade de gerar harmonias. Até aqui fizemos um uso estritamente melódico do material. Aprendendo a engatinhar na roda de Boulez.
O CHGP (Carlos Henrique Gontijo Paulino) já se dispôs a tratar o algoritmo da série como uma estrutura de geração de timbre, e de compartilhar este procedimento com a gente. Isto significa utilizar as relações matemáticas implícitas nesta sequência de notas, a saber ( 0-7-5-11-1-6-2-8-3-10-9-4 ) sintetizando-as em osciladores. Neste caso os harmonicos e parciais da nota de partida (si), serão geradores de um timbre exclusivo para a composição que compartilhe de sua estrutura algorítmica.
Este timbre não estará emulando nenhum instrumento musical existente, mas será uma sonoridade exclusiva do meio no qual foi produzido.
Para colorir a execução destes fragmentos admitimos também a ornamentação anterior, com anacrusas, e o prolongamento rítmico em sincopes de cada motivo, a critério do interprete.
sériecontrato
o triângulo quer dizer “toque”
favor abrir o código, ou por ali, ou por aqui
quanta

“Quanta”, por Mathieu Struck
WINDOWS MEDIA PLAYER, WINAMP ou VLC? – Considerações sucintas sobre o background técnico, formal e legal da questão (e, mais do que isso, sobre os aspectos ontológicos da pergunta).
A mostra artístico-tecnológica ConSerto (19/03/2007 a 01/04/2007, Curitiba, Brasil), protagonizada pela Orquestra Organismo, está, no momento de redação deste ensaio, a todo vapor.
Ainda em seu início, a mostra já pode se considerar pródiga em ter demonstrado – experimental e empiricamente – o amplo espectro de possibilidades da produção audiovisual em ambientes operacionais complexos arquitetados em software livre e/ou open source.
Um dos experimentos mais eloqüentes do ConSerto é a Rádio Pulso Maestro, uma estação experimental de rádio, transmitida por streaming digital. Toda a cadeia de software necessária para a sua viabilização técnica – do sistema operacional propriamente dito aos programas mais específicos voltados para a transmissão – está construída em código aberto/livre, desmistificando conceitos ainda largamente vigentes a respeito da usabilidade de tais ferramentas.
Ao vivo, a rádio tem ofertado uma programação muito consistente, com transmissões musicais de artistas locais e dôoutras bandas, recitações poéticas e literárias (notadamente a leitura de trechos selecionados de O Tempo e o Vento, por Sálvio Nienkí¶tter), entrevistas, rodadas de debate, além do próprio fluxo de ambientação sonora e verbal da instalação. Todo esse conteúdo é disponibilizado ao público sob licenças de livre compartilhamento, das quais se destaca a GFDL.
Dado o caráter intencionalmente experimental da mostra ConSerto – e as questões palpitantes nela veiculadas – muitas dúvidas tem surgido na sua comunidade de experimentadores (artistas e público). A Rádio Pulso Maestro, como um dos mais emblemáticos exemplos de tal interação alquímica, não poderia ser a exceção.
O presente ensaio pretende abordar topicamente – e sob perspectivas diversas – algumas dificuldades conceituais sentidas pelos usuários da rádio em questão – e pelo próprio autor.
Primeiramente, deve-se observar que a recepção do sinal de streaming da Rádio Pulso Maestro, exatamente como em outras iniciativas de código aberto, depende de uma postura [cri]ativa do usuário. Longe de disponibilizar um cômodo player de áudio embutido em sua própria página (no qual o usuário apenas apertaria singelamente algumas teclas para receber passivamente o sinal transmitido), a rádio, com certa crudeza, oferta unicamente um espartano hiperlink para a recepção de seu sinal.
Conceitualmente, isso se justifica, pois de acordo com a proposta de ConSerto, cabe ao usuário livremente decidir a melhor forma – dentre diversas disponíveis – de acessar dita hiperligação e escutar a rádio. Apenas como uma sugestão descompromissada, a página da Rádio Pulso Maestro indica o programa de execução de áudio e vídeo VLC, desenvolvido pelo projeto Videolan.
Como intencionalmente se previa na concepção de ConSerto, diversos usuários da rádio mostraram-se perplexos e em dúvida. Muitos deles – alguns quase que a arrancar os cabelos – questionaram se não poderiam acessar a rádio mediante, por exemplo, o programa Windows Media Player (incluído no sistema operacional homônimo) ou mesmo mediante o relativamente popular player de áudio Winamp, de distribuição gratuita na rede (ao menos em sua versão mais básica).
Levados a experimentar o VLC, mesmo após alguns previsíveis périplos, tais usuários se surpreenderam com sua própria capacidade de rotear sponte proprio, o acesso í informação antes considerada inacessível por um hermetismo apenas aparente.
Tais questionamentos suscitaram, sob demanda, uma rodada interdisciplinar de discussões em ConSerto com o propósito de compartilhar subsídios técnicos, simbólicos, legais e filosóficos com o público da mostra. Há, nesse particular, uma dupla hélice argumentativa a considerar.
De um lado, ConSerto tem como objetivo demonstrar ritualisticamente, mediante processos em andamento em permanente e camaleônica transformação simbólica, a viabilidade de acesso e manipulação de conteúdos culturais e artísticos com ferramentas de software livre ou de código aberto. Por essa razão conceitual, sugeriu-se, na página da Rádio Pulso Maestro, o uso – meramente exemplificativo – do programa VLC, um software livre.
De outro lado, deve-se considerar que a execução de arquivos de áudio e vídeo em computadores pessoais é absolutamente massificada e é exponencialmente crescente. A principal suite proprietária do mercado (Microsoft Windows) disponibiliza um player de áudio e vídeo integrado simbioticamente ao seu sistema operacional. Há literatura técnica suficientemente disponível para listar uma série de limitações técnicas e de segurança de tal programa, mas este não é o propósito do presente ensaio.
O fato é que um percentual significativo dos usuários de computadores pessoais se mostra satisfeito com o que tal programa lhes oferece, sem maiores questionamentos ou mesmo presumindo a inexistência de outras opções. Outro contingente de usuários, ao se dar conta da efetiva existência de alternativas, passa a ter acesso a uma série de programas rivais ao Windows Media Player, dos quais se poderia citar, exemplificativamente, Winamp, Sonique, Musicmatch, BSPlayer, entre uma infinidade de outros exemplos disponíveis em rede. Todos esses programas podem ser obtidos gratuitamente na internet, seja em suas versões completas ou parciais, conforme o caso.
Embora gratuitos, esses programas não são exemplos de software livre ou mesmo de código aberto. Associar a gratuidade í liberdade de uso ou ao acesso í fonte, nesse particular, é um equívoco conceitual de conseqüências dramáticas.
Nestes exemplos de programas de obtenção gratuita na rede, ao usuário se permite obter, sem custos, um mero pacote executável do programa, não se fornecendo qualquer acesso í s entranhas propriamente ditas do programa (o código-fonte ou source do programa) e nem se conferindo ao usuário certos direitos de modificação e redistribuição. Do que se conclui que tais programas podem ser gratuitos, mas não são livres.
Além disso, não raro tais programas – ao manterem seu código na condição de mistério arcano – trazem em seu âmago dispositivos maliciosos não-autorizados pelo usuário (ou que este razoavelmente não autorizaria se soubesse de sua existência), tais como monitoradores de tráfego, hábitos ou conteúdo, geradores de estatísticas, cookies para observação de padrões de uso ou mesmo disseminação de spam por meio de anódinos (?) registros para recebimento de mailing.
É nesse ponto (e não apenas do ponto de vista estritamente funcionalista ou técnico) que se tornam intuitivas as vantagens de se estimular uma cultura de uso dos programas livres ou de código aberto, não apenas para executar arquivos de áudio e vídeo, mas para muitas outras necessidades do quotidiano computacional, especialmente no que se refere í necessidades relacionadas í geração e ao compartilhamento de dados.
No caso que veio a ilustrar o presente ensaio, o programa VLC é apenas uma dentre as diversas opções de software livre para a execução de arquivos de áudio e vídeo. Considerando que novas iniciativas nesse segmento surgem todos os dias, elaborar uma lista seria ilusório, mas poderiam ser citados, exemplificativamente, os programas Kaffeine, KPlayer, Ogle, Songbird, Audacious (disponibilizados sob a licença GPL), Banshee (licenciado sob MIT) e MusikCube (licenciado sob BSD) e o próprio VLC, que tem a vantagem de ser facilmente instalável na plataforma Windows.
Cada um desses exemplos tem um conjunto de funcionalidades e atrativos distinto, mas tem em comum com os demais o acesso irrestrito e total ao código fonte, aliado (em maior ou menor grau conforme a licença) í livre possibilidade de modificações, alterações ou melhorias por quem se sentir habilitado para tanto.
Mesmo para o usuário que não se interesse por códigos de programação, a simples garantia de que o acesso í fonte será possível já representa uma vantagem conceitual de vulto (inclusive do ponto de vista da privacidade, da individualidade e do anonimato legal, valores sob ameaça constante na contemporaneidade), já que passa a ser possível saber exatamente o que está sendo executado no ambiente operacional do usuário e, com isso, prevenir a execução de códigos ou ordens parasitárias, nocivas ou invasivas. Isso apenas no que se refere ao fato do código ser aberto, sem mencionar outras possibilidades e potencialidades geradas pelo licenciamento livre.
É oportuno ilustrar que a maioria dos programas mencionados conta com comunidades de usuários extremamente ativas e férteis que, de forma orgânica e colaborativa, encontram soluções e incrementos técnicos que garantem a evolução de sua usabilidade e, por conseguinte, da própria cultura de uso de tais ferramentas.
Dada a massificação espetacular do uso dos computadores pessoais para o acesso í cultura e ao entretenimento, players de áudio e vídeo livres são apenas o exemplo mais óbvio e imediatista do crescimento de um ambiente de produção e manipulação de informação voltado prioritariamente para a liberdade do usuário e a preservação de seus direitos fundamentais. Dentre os quais se destacam o acesso í cultura e ao conhecimento, a personalidade, a privacidade, a intimidade, a originalidade e a inventividade, a autonomia, a autodeterminação e, last but not least, o direito natural í customização (o consagrado do it yourself) e í fuga, por conseguinte, da massificação e da standartização. Massificação e stardartização estas que podem até ser coerentes e viáveis para a produção de Fords Modelo T ou latas de sopa, mas que destoam completamente da criação intelectual, artística, inventiva e cultural, mais afeitas ao cuidadoso, paciente e laborioso ofício de artesãos e alquimistas.
Colateralmente, tais ferramentas livres demonstram ter um potencial surpreendente de estimular seus usuários a agirem como manipuladores de códigos não apenas computacionais, matemáticos e/ou lingüísticos, mas a integrarem uma verdadeira comunidade de uso de tais utensílios, colaborando (em maior ou menor grau) de forma sígnica, reativa e comportamental com o florescimento de complexos arcabouços culturais, transcendendo o uso meramente utilitarista e instrumental de tais ferramentas e integrando tais usos e costumes no conjunto de valores permanentes da Civilização.
Na opinião particular do redator, tais comunidades, longe de se submeterem a reduções socializantes (como poderia parecer ou como chega a ocorrer em casos documentados de apropriação ideológica de tal discurso libertário), também podem ser analisados sob outras perspectivas simbólicas, por exemplo, do ponto de vista cívico (não na acepção da vulgata, mas no entendimento clássico do termo – a cives grega), conferindo valor meritocrático í iniciativas de seus membros que se revelem úteis para o código grupal.
A individualidade, conforme se observou, não se dissolve, antes é ludicamente cultuada sob a perspectiva de contribuições que se revelem profícuas para a sobrevivência e fertilidade do grupo. É uma cultura em construção ritual permanente, fundada no respeito mútuo, no compartilhamento e na abertura. Este também é o ConSerto.
Como conclusão, talvez se revele útil ao leitor uma rápida enumeração dos lineamentos conceituais formais que distinguem software proprietário, livre, semi-livre, open source, freeware e shareware.
- Software proprietário: programas que não são livres nem semi-livres. Seu uso, redistribuição ou modificação são proibidos, ou requerem permissão do titular, ou tal permissão, se concedida, não açambarca um uso propriamente livre de todas as funcionalidades do programa. O uso de cópias não-autorizadas de tais programas sujeita o usuário, na quase totalidade dos países, a sanções judiciais e pecuniárias. Praticamente todos os software proprietários não permitem acesso ao seu código fonte (source code) ou ainda que o permitam parcialmente, vedam o acesso a núcleos considerados vitais do programa.
- Freeware (software grátis): termo usualmente associado a programas que podem ser obtidos gratuitamente na internet e que, em alguns casos, podem ser redistribuídos a terceiros, mas que quase sempre não permitem modificações ou não disponibilizam o código fonte. Não se trata de software livre, mas software grátis, uma variante de software proprietário, na qual não há contrapartida econômica, mas se mantém o controle da fonte. Em muitos casos, tais programas seduzem seus usuários com a gratuidade, podendo, em contrapartida, serem a aplicação prática do brocardo “dar com uma mão para tirar com outra“ (especialmente no que se refere í execução de códigos nocivos í privacidade). Além disso, sua standartização gera comunidades de usuários famélicas em compartilhamento e melhoramentos, sendo tais ambientes mais voltados, por exemplo, para a mera troca de skins ou plugins, sem maiores reflexões com relação í avanços nas funcionalidades, ainda controladas por gestores proprietários do código.
- Shareware: Trata-se também de uma variante de software proprietário e um intermediário com relação ao freeware. A obtenção e redistribuição de cópias de demonstração são gratuitas, assim como o uso por um prazo limitado (ou uma limitação de certas funcionalidades). A continuidade do uso é vinculada í aquisição de uma licença paga. Ainda assim, não há acesso ao código fonte e não se permite a sua modificação e redistribuição, na absoluta maioria dos casos. Só há duas formas práticas de se usar tais programas: pagando por uma licença ou obtendo acesso ilegal e não-autorizado í s suas funcionalidades, normalmente mediante cracks ou geradores automáticos de senhas.
- Software semi-livre: Trata-se de programas que normalmente não são gratuitos, mas incluem uma permissão para indivíduos usarem, copiarem, distribuírem, modificarem e redistribuírem versões modificadas para uso doméstico ou sem fins lucrativos. Em contextos mais complexos, como a associação e conjugação de programas para fins múltiplos, os software semi-livres podem gerar problemas de compatibilidade com o software livre propriamente dito, maculando o conjunto.
- Software livre: Programas que são licenciados e disponibilizados ao público de modo a permitirem o livro acesso ao código-fonte, associado í liberdade de executar para qualquer fim, estudar, modificar, melhorar, copiar, distribuir (e redistribuir com modificações), inclusive comercialmente, em maior ou menor grau conforme o tipo de licença de uso que estiver associado ao programa. Há uma infinidade de licenças disponíveis, das quais se destacam a GPL, a BSD e a MIT, cada qual com um teor maior ou menor de permissões a elas associadas.
- Software Open Source (código aberto): Programas nos quais o código-fonte está livremente e publicamente disponível (permitindo a compreensão total das conseqüências de sua execução pelo usuário), ainda que o específico licenciamento de uso, redistribuição ou de modificações de tais programas possa variar conforme o caso.
- Software privado: Situação em que alguém contrata particularmente um desenvolvedor para a elaboração de um programa particular, para uso interno e sem divulgação ao público. A autonomia contratual e a autodeterminação privada das partes regula este tipo de programa, inclusive no que se refere ao acesso ao código fonte, que comumente nestes casos passa a ser de titularidade do contratante, assumindo o desenvolvedor o papel de prestador de serviços.
- Software comercial: Programas desenvolvidos por indivíduos ou empresas com o objetivo de gerar e multiplicar riquezas com a sua disseminação na sociedade. Ainda que esteja intuitivamente e historicamente associado ao software proprietário, o software livre também pode se revestir de uma conotação comercial (coisa, aliás, absolutamente natural e que não é necessariamente contraditória com os princípios de liberdade de uso inerentes ao software livre). Apenas para recordar, software grátis não é software livre e nem necessariamente o inverso. A liberdade de que se trata neste ensaio está associada a valores mais amplos do que aqueles estritamente econômicos.
Curitiba, 21 de março de 2007.
Mathieu Bertrand Struck
(Artigo licenciado sob Creative Commons 2.5 [BY])

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Rodadas de discussão de ConSerto relacionadas ao tema:
the hunger

Photo: Mathieu Struck

da linguagem a muleta – ossos olhos

Enseigne, c’est-í -dire: apprends avec.
Passionnément vivre le paysage. Le dégager de l’indistinct, le fouiller,
l’allumer parmi nous. Savoir ce qu’en nous il signifie. Porter í la terre ce clair savoir.
Si la solution te paraí®t difficile, peut-être même impraticable, ne va pas crier tout í trac qu’elle est fausse. Ne te sers pas du réel pour justifier tes manques. Réalise plutôt tes rêves pour mériter ta réalité.

Exalte la chaleur, et t’en fortifie. Ta pensée sera fulgurante. Il faut haí¯r les climatiseurs.

Mais la fulguration s’évanouit. Campe dans le continue. Rattachons les cordes, fouillons. Etre terreux et lourd.

Vomir chaque jour de cette commune vomissure.

ô failli, n’est-il pas temps pour toi d’incliner au noir terreau tant de petitesses qui n’attendent que ton coutelas?
S’il te manque du ciel pour oser vivre, va plus í fond, quitte l’eclair des mots, fouille dans la racine.
Alors, comme dans tant d’enfances que tu nous fis, tu parleras d’agir.

Edouard Glissant
baú de experimentações gráficas de 2004
é dos carecas que elas gostam mais?

3. FILOSOFIA POLíTICA E VIOLÃ?Å NCIA EM HANNAH ARENDT
A busca pela aproximação de um conceito de violência na filosofia política dirige-nos de
forma clara ao estudo de Hannah Arendt – Sobre a Violência (1969). Coloca-se de forma
enfática esta aproximação em face da perspectiva pela qual Arendt traduz teoricamente
suas análises sobre a violência, resguardando um espaço para a consideração da técnica
a ela relacionada.
Pode-se considerar a envergadura do estudo de Arendt, na medida em que a autora
consegue distinguir diversos conceitos, entre eles: Poder, Vigor, Força, Autoridade,
Violência. Esta preocupação com a definição clara do alcance que cada conceito deve ter
no conjunto da linguagem relacionada í filosofia política dá ao trabalho desenvolvido por
Arendt a significação de relevância para qualquer pesquisador que deseje se aproximar
do estudo da violência a partir da filosofia política.
Iremos estabelecer um diálogo com o texto de Arendt, a fim de apontar as suas
principais contribuições no que diz respeito í compreensão do conceito de violência
elaborado pela autora. Será, na medida do possível, uma análise crítica que buscará ver
os limites de suas considerações, bem como as possibilidades analíticas a partir de seus
conceitos.
Hannah Arendt demonstra em seu estudo uma grande preocupação com o nível que
alcançaram os desenvolvimentos dos implementos técnico-bélicos no século XX. “O
desenvolvimento técnico dos implementos da violência alcançou agora o ponto em que
nenhum objetivo político poderia presumivelmente corresponder ao seu potencial de
destruição, ou justificar seu uso efetivo no conflito armado.” (Arendt, 1968;1994:13)
A autora aqui faz clara menção ao modo de operação dos conflitos do século XX (ao
menos os que envolvem diretamente potências atômicas), ou seja, a dissuasão, ou uma
“racionalidade” no uso dos meios de violência disponíveis. Arendt, ao passo que
reconhece esse elemento calculador, considera como extremamente plausível a
impossibilidade de um cálculo preciso no que diz respeito í realização da guerra, posto
que, diferentemente da lógica instrumental, as relações humanas guardam em si um
caráter indeterminado. “Visto que o fim da ação humana, distintamente dos produtos
finais da fabricação, nunca pode ser previsto de maneira confiável, os meios utilizados
para alcançar os objetivos políticos são muito freqüentemente de maior relevância para o
mundo futuro do que os objetivos pretendidos.” (Ibid, 1969;1994:14)
Sobre a questão da contingência da guerra, Arendt não acrescenta nenhuma novidade. O
que chama a atenção é que a autora encontra justificativa para que a guerra se encontre
ainda na contemporaneidade como o instrumento por excelência, sendo o último arbítrio.
Existe uma condição que separa a análise da guerra em dois pontos a serem
considerados: a guerra lenta4 (sem uso de armas de destruição em massa) e a guerra
rápida (com armas de destruição em massa). O grau de implementação técnica utilizada
no conflito leva na direção de uma imprevisibilidade das conseqüências decorrentes do enfrentamento, ou antes ainda, de todo o mecanismo que surge a partir da simples
possibilidade de que tal conflito aconteça.

Arendt apresenta sua análise sobre o modo operante das sociedades pós-segunda guerra
mundial. A racionalidade bélica torna-se impositiva entre as grandes potências que
emergiram do conflito. “O imperativo técnico [que Arendt evoca] resume-se na
proliferação irresistível de técnicas e máquinas [que], longe de ameaçar certas classes
com o desemprego, ameaça a existência de nações inteiras e, presumivelmente, de toda
a humanidade.” (Ibid, 1969/1994:22). O posicionamento teórico de Hannah Arendt sobre
a técnica aproxima-se de um enfoque instrumental, analisando basicamente as
conseqüências das implementações técnicas e não necessariamente o fundamento
técnico da sociedade contemporânea. A questão da ciência e a crença no progresso
representam para a autora elementos essenciais da contemporaneidade, entretanto, ela –
e tem-se a certeza de que não é este o seu objetivo – não se atém í discussão da
técnica moderna “em sua essência e de que forma ela ameaça o homem”.
Pode-se dizer que Arendt dá corpo í sua análise sobre a violência a partir do segundo
capítulo de seu estudo. Localiza-se neste ponto a primeira demarcação do espaço de seu
posicionamento teórico e de sua crítica em relação í noção que a filosofia política e a
sociologia possuem de violência e poder.
A análise e a distinção entre poder e violência representam o ponto de inflexão no que
diz respeito í definição dos conceitos pela filosofia política e pela sociologia. Arendt
distancia-se, dessa forma, da tradição de C. Wright Mills, para quem “toda a política é
uma luta pelo poder; a forma básica de poder é a violência”. Ou ainda de Max Weber, ao
colocar que o Estado se caracteriza “pelo uso da violência legítima”. Considera-se que a
primeira derivação de Arendt na direção de seu posicionamento teórico sobre os
conceitos de poder e violência pode ser apresentada da seguinte maneira:
De fato, uma das mais óbvias distinções entre poder e violência é a de que o poder
sempre depende dos números, enquanto a violência, até certo ponto, pode operar sem
eles, porque se assenta em implementos. (…) A forma extrema de poder é o Todos
contra Um, a forma extrema de violência é o Um contra Todos. E esta última nunca é
possível sem instrumentos. (Ibid, 1969;1994:35)
Arendt, ao lançar-se na busca pela clareza conceitual em relação aos conceitos de poder
e violência, aproxima-se de forma colateral a outros conceitos, entre eles: Vigor, Força,
Autoridade. “Penso ser um triste reflexo do atual estado da ciência política que nossa terminologia não distinga entre palavras-chave tais como “poder” [power], “vigor”
[strenght], “força” [force], “autoridade” e, por fim, violência.” (Ibid, 1969;1994:36)
Poder, para a autora, não se resume apenas na capacidade de ação de um único
indivíduo, ou na capacidade de impor uma vontade a outras. A definição de Arendt vai na
direção da composição, ou seja, o Poder emerge através da composição da relação entre
os indivíduos que resolvem agir em uníssono. “A partir do momento em que o grupo, do
qual se originara o poder desde o começo (potestas in populo, sem um povo ou grupo
não há poder), desaparece, “seu poder” também se esvanece.” (Ibid, 1969;1994:36)
Para Arendt, a concordância surge como elemento essencial do político através do qual o
grupo exerce o seu poder e, na medida em que não singulariza a vontade, pelo contrário,
nasce de uma vontade coletiva que evidentemente não necessita da violência como
instrumento de imposição, posto que o poder emana do grupo que comunga da mesma
posição.
O segundo conceito sobre o qual Hannah Arendt desdobra sua análise é o de Vigor. Este
elemento conceitual surge como a emergência da singularidade, ou seja, é individual por
excelência. “A hostilidade quase instintiva dos muitos contra o único tem sido sempre
atribuída, de Platão a Nietzsche, ao ressentimento, í inveja dos fracos contra os fortes,
mas essa interpretação psicológica não atinge o alvo. É da natureza de um grupo e de
seu poder voltar-se contra a independência, a propriedade do vigor individual.” (Ibid,
1969;1994:37)
Pode-se considerar que Arendt apresenta como o mais “impróprio” dos conceitos
justamente aquele que, na maioria das vezes, é aproximado ao conceito de poder e de
violência, ou seja, a Força. O elemento central a respeito do qual Arendt expõe o
fundamento do conceito de Autoridade é o reconhecimento. A autoridade necessita de
reconhecimento, na medida em que sua aceitação é demonstrada pela relação de
obediência. A autora enfoca algumas possibilidades de investimento da autoridade.
A violência, para Arendt, é a expansão do vigor a partir da inserção de uma lógica
instrumental. Temos uma condição singular a ser pensada: o poder pode manifestar
violência, entretanto, a violência nunca poderá manifestar poder. “Onde os comandos
não são mais obedecidos, os meios de violência são inúteis; e a questão desta obediência
não é decidida pela relação de mando e obediência, mas pela opinião e, por certo, pelo
número daqueles que a compartilham. Tudo depende do poder por trás da violência.”
(Ibid, 1969;1994:39)
Existem certos limites que devemos compreender, certas nuanças sobressaem-se dessa
relação entre poder e violência. Pode-se considerar que se deve manter um mínimo de
poder naquelas condições onde tal poder não representa a maioria, ou não se estrutura
com o consentimento da maioria. Os mecanismos através dos quais a instrumentalidade
da violência ganha movimento exige a execução formal por parte de indivíduos – cabe
ressaltar que existe uma proporção inversa no que diz respeito ao grau de
implementação técnica e í necessidade de um número expressivo de indivíduos
executantes. O poder, na proporção em que não responde nem mesmo a essas condições
mínimas de pôr em movimento a instrumentalidade da violência, não se sustenta mais
como poder. “A ruptura súbita e dramática do poder que anuncia as revoluções revela
em um instante o quanto a obediência civil – í s leis, aos dominantes, í s instituições –
nada mais é do que a manifestação externa do apoio e do consentimento.” (Ibid,
1969;1994:39)

Hannah Arendt conclui que “o poder é de fato a essência de todo governo, mas não a
violência. A violência é por natureza instrumental; como todos os meios, ela sempre
depende da orientação e da justificação pelo fim que almeja. E aquilo que necessita de
justificação por outra coisa não pode ser a essência de nada.” (Ibid, 1969;1994:41)
A relação entre poder e violência não deve ser condicionada apenas í idéia de
proporcionalidade, posto que em um confronto direto entre ambos pode-se considerar
que a violência tenha, em um primeiro momento, a vantagem, já que os implementos
técnicos possuem características de velocidade e penetração, diferente dos elementos
que compõe o poder.
A preponderância da violência na política, por outro lado, gera uma condição de perpétua
instabilidade e de retornos cada vez maiores ao uso da violência, até se tornar cotidiana.
Temos a instauração do terror não existe a possibilidade de fuga da violência, pois tal
fuga necessitaria do abandono da violência como fim em si mesmo. “O terror não é o
mesmo que a violência; ele é, antes, a forma de governo que advém quando a violência,
tendo destruído todo o poder, ao invés de abdicar, permanece como controle total.”
(Ibid, 1969;1994: 43)
O animal racional e sua defesa pela ciência moderna representam para Arendt algo de
realmente perigoso. A racionalidade humana tem em si o elemento da irracionalidade; o
extremo da razão é a não-razão. De um lado, parte-se do cálculo e chega-se í
necessidade da eliminação de seres que, por ventura, em um futuro próximo, possam vir
a competir por algum bem escasso. Racionalmente, aqueles que detêm os meios de
violência mais apropriados provavelmente terão alguma vantagem nessa disputa. O ponto de desequilíbrio neste exemplo não é a razão, como parece inicialmente, mas sim
um modo específico de razão, a saber, a racionalidade técnico-científica.
Arendt reconhece a violência como uma condição “natural” do homem, desde que esta
não se desenvolva através de um cálculo preciso, ou seja, que se torne um fim em si
mesmo. “Neste sentido, o ódio e a violência que í s vezes – mas não sempre – o
acompanha pertencem í s emoções “naturais” do humano, e extirpá-las não seria mais
do que desumanizar ou castrar o homem.” (Ibid, 1969;1994:48). Estabelecer os limites
para esta humanidade parece ser algo bastante complicado para Arendt, pois a
justificativa desses limites encontra seu fundamento em qual lugar? A autora não se
preocupa necessariamente em dizer onde se situam tais justificativas, mas sim afirma
onde não devem ser buscadas.
A partir deste ponto, Hannah Arendt faz críticas í s teorias de Sorel. “Assim, muito antes
de Konrad Lorenz ter descoberto a função da agressividade como estimulante vital no
reino animal, a violência fora elogiada como uma manifestação da força vital e,
especificamente, de sua criatividade.” (Ibid, 1969;1994:52)
A compreensão que Arendt tem sobre a violência encontra certa justificativa quando são
considerados os espaços de realização e o alcance almejado no seu uso. Deve-se
considerar que o uso da violência, a partir do momento em que é relacionada
instrumentalidade, tem em si um caráter contingente, que é expresso por meio de duas
perspectivas: uma diz respeito ao fato de que as conseqüências das ações humanas
guardam uma certa imprevisibilidade; a segunda é o próprio caráter contingente dos
instrumentos técnicos. “A violência, sendo instrumental por natureza, é racional í
medida que é eficaz em alcançar o fim que deve justificá-la. E posto que, quando
agimos, nunca sabemos com certeza quais serão as conseqüências eventuais do que
estamos fazendo, a violência só pode permanecer racional se almejar objetivos de curto
prazo.” (Ibid, 1969;1994:58)
A ênfase que deve ser dada a partir das considerações de Hannah Arendt vai na direção
de compreender o homem como um ser político por excelência – aquele que possui a
capacidade de agir e de buscar o eterno começo de algo novo. “O que faz do homem um
ser político é sua faculdade para a ação; ela o capacita a reunir-se a seus pares, a agir
em conSerto e a almejar objetivos e empreendimentos que jamais passariam por sua
mente, deixando de lado os desejos de seu coração, se a ele não tivesse sido concedido
este dom – o de aventurar-se em algo novo.” (Ibid, 1969;1994:59)
Como conseqüência derivada desse posicionamento, nem o poder nem a violência são
fenômenos naturais compreendidos a partir da perspectiva de manifestação de um processo vital, como coloca Arendt. Ambos pertencem í esfera do político, emergem da faculdade do homem de agir e de buscar o começo, ou da sua disposição para recomeçar.
O poder e a violência – elementos da esfera política – permanecem em latência, cabendo
í emergência e í contingência das ações humanas determinarem o seu florescimento, ou
não. Estabelece-se entre o poder e a violência uma relação de exclusão; í medida que o poder aumenta, tem-se o aumento ou a manutenção da capacidade do homem de agir
em conSerto. Diminuída esta capacidade, surge a violência como recurso imediato í
manutenção da autoridade, não mais do poder. Este perdeu-se no momento em que a
instrumentalidade fez-se presente através da violência.
enunciado de uma estatística onírica. das pessoas que percorrem as bordas do abismo. entre a população dos cachorros, 60% dos que caminham livremente estão contidos nessa faixa. quando se trata de grandes instituições, apenas 1% delas deslocam-se pela extremidade. pensei que tinha acordado em outro lugar, essa noite. tentava acender a luz mas era a campainha.
quarta-feira, 24 de maio de 2006
enviado por lucida – lucida sans í s 11:02:52.
;pulsando
(…)
A mesma sala é conduzida pelo chamado Pulso Maestro: uma conexão direta de sugestão de ritmos controlada via rede, influindo diretamente nas luzes, aparelhos eletronicos e sons do espaço, criando uma catarse de “casa viva”, com a qual os músicos, atores, poetas e performers interagem.
AQUI: LINK PARA O TUTORIAL E INTERFACE PD DESTE.
(…)
(clique nas fotos pra ampliar)
vai ter música?

octavio: to voltando
descolei o piano
chega amanhã de manhã
ja chego ae
eu: MASSAA
sobre rádios livres
não mais vejo as estrelas

tvconSerto
(19:36:30) glerm [glerm@jabber.org/Home] entrou na sala.
(19:36:30) mathieu.struck [mathieu.struck@jabber.org/Gaim] entrou na sala.
(19:36:30) barbarelak [barbarelak@jabber.org/Gaim] entrou na sala.
(19:36:30) octavio [octaviocamargo@jabber.org/Home] entrou na sala.
(19:27:26) barbarelak: continua sem ouvir a rádio, mathieu?
(19:27:34) mathieu.struck: voltou
(19:27:41) mathieu.struck: aqui deu uma travada
(19:27:44) barbarelak: hmmmm
(19:27:51) mathieu.struck: onde foi parar o povo
(19:27:57) barbarelak: estão aqui
(19:28:07) barbarelak: é que esse lance aqui desconecta depois de um tempo sem atividade
(19:28:16) barbarelak: o oc está se logando de novo
(19:29:50) mathieu.struck: hummm
(19:29:53) mathieu.struck: i see
(19:30:03) glerm: dfsfs
(19:30:04) barbarelak: e lá vem eles
(19:30:20) glerm: palmieri, ricardo para octavio, Lúcio, mim, simone, Carlos, flavio, Vanessamostrar detalhes 17:43 (1 hora atrás) entao gente. antes de tudo deixa eu dar um avisdo: estou sem internet em casa, entao, vou tenytar ir pra lan-house todas as noites pra pegar noticias de vcs. qq emergencia me liguem no celular. to escrevendo aqui algumas ideias sobre o roteiro do flash-mob / performance descrito acima. entao vou jogar aqui o brain storm.
(19:30:29) glerm: — texto do palm:
(19:30:39) glerm: proposta para o happening do sábado (ou sexta?) a noite/tarde 1. encontro flash-mob: enviaremo um mail-spam convidando as pessoas conhecidas (ou nao) para aparecem no dia marcado, as 17h, no local (cavalo babão?), munidas de calçados confortáveis, um livro com mais de 10 capitulos (qq um), e um copo/caneca plastica. a ideia eh seguirmos o cortejo, parando em 10 pontos. em cada ponto faremos uma leitura coletiva em voz alta e simultanea dos 2 primeiros páragrafos de cada capitulo de cada livro. uma espécie de “conSerto de polavras”, em 10 etapas. cada estapa deverá ser gravada em audiovisual. isso gerará um produto CD/DVD q depois a gente ve o q faz. as canecas deverão ser enchidas com cachaça, vinho, ou qq outra bebida tipica q algum curitiboca queira propor. apesar de eu achar q cachaça tem tudo a ver com charuto e tudo a ver com pretovelho.
(19:30:48) glerm: 2. deveremos selecionare 10 pontos “estratégicos” (nao sei se precisa ser um lugar, ou se podem ser conceitos “estratégicos”), para pararmos e lermos coletivamente os livros ao mesmo tempo em voz alta. estou falando de 10 paradas, mas poderiamos ser acidos a ponto de brincar com as 15 paradas de jesus antes da ressurreição ( http://amaivos.uol.com.br/templates/amaivos/amaivos07/noticia/noticia.asp?cod_noticia=6864&cod_canal=29 ). mas nao sei. soh estou especulando.
(19:31:25) glerm: 3. ao final do cortejo (bosque do papa) levaremos o boneco para algum outro ponto para começarmos a montagem da instalação “pretovelho cura espinhela caída”. estou mapeando 10 pontos nevralgicos de acupuntura para aplicarmos o tratamento no manequim, para q depois ele ajude as pessoas a se curarem. temos q ver se eh limpeza usarmos o espaço da SEAE para montarmos esta instalação. to falando isso pq penso na montagem do boneco em forma de “performance”, ou seja, vamo começa a monta o bicho com quem tiver a fim.
(19:31:43) glerm: 4. pensei q alguma figura mítica poderia surgir do meio do bosque do papa, no momento seguinte ao destripar do boneco. chapeuizinho vermeljho seria “uó” na minha opinião. entao de cara, gostaria q vcs sugerissem: * pontos “estratégicos” (geograficos, históricos, conceituais, fictícios, aRtivistas) * bebidas para “beber” o morto * livros específicos para solicitarmos aos participantes do flash-mob * articulação com a galera conhecida para fazermos uma “massa” no cortejo vejo q precisaremos de apoio para as seguintes açoes * 2 video-makers para gravar o processo * 2 pessoas “servindo” a bebida * maestros para conduzir as leituras em cada parada (deixar isso pré-definido antes do inicio da ação)
(19:31:58) glerm: ao final, teremos uma intervenção q cai dentro das modalidades, mas ao mesmo tempo não eh nada disso: teatro performance flash-mob intervenção urbana video música instalação literatura e mais o q vcs quiserem. se vcs puderem discutir isso amanhã, seria bacana para eu poder produzir o material q falta (convite para o flash-mob, figurino meu e do boneco, material para a instalação) tyb estou preparando uns adesivos do pretovelho. depois eu mandoi a arte pra vcs
(19:32:14) glerm: vbou tentar chegar ai na quarta na hora do almoço. mas eu to preocupado q no fim de semana a lua muda, e lua, maré e mulher grávida… vcs tao ligados neh? bom, tamos ai. precisando de ajuda com outros projetos, ja me avisem q eu vou produzindo isso daqui. bj e queijo p!
—
ricardo palmieri
# 1185833173
[palm.estudiolivre.org]
[skype:palmieriricardo]
[jabber: ricardopalmieri@xemele.cultura.gov.br]
[msn: ricardopalmieri@bol.com.br]
[linux user # 392484]
(19:36:30) #conserto@conference.jabber.org: octaviocamargo has set the subject to: tá todo mundo ai?alo alovale!
(19:37:26) octaviocamargo: ola
(19:37:32) glerm: versão maior
(19:37:48) octaviocamargo: aumentem as fontes que eu sou cego
(19:37:52) glerm: (19:30:20) glerm: palmieri, ricardo para octavio, Lúcio, mim, simone, Carlos, flavio, Vanessamostrar detalhes 17:43 (1 hora atrás) entao gente. antes de tudo deixa eu dar um avisdo: estou sem internet em casa, entao, vou tenytar ir pra lan-house todas as noites pra pegar noticias de vcs. qq emergencia me liguem no celular. to escrevendo aqui algumas ideias sobre o roteiro do flash-mob / performance descrito acima. entao vou jogar aqui o brain storm.
(19:30:29) glerm: — texto do palm:
(19:30:39) glerm: proposta para o happening do sábado (ou sexta?) a noite/tarde 1. encontro flash-mob: enviaremo um mail-spam convidando as pessoas conhecidas (ou nao) para aparecem no dia marcado, as 17h, no local (cavalo babão?), munidas de calçados confortáveis, um livro com mais de 10 capitulos (qq um), e um copo/caneca plastica. a ideia eh seguirmos o cortejo, parando em 10 pontos. em cada ponto faremos uma leitura coletiva em voz alta e simultanea dos 2 primeiros páragrafos de cada capitulo de cada livro. uma espécie de “conSerto de polavras”, em 10 etapas. cada estapa deverá ser gravada em audiovisual. isso gerará um produto CD/DVD q depois a gente ve o q faz. as canecas deverão ser enchidas com cachaça, vinho, ou qq outra bebida tipica q algum curitiboca queira propor. apesar de eu achar q cachaça tem tudo a ver com charuto e tudo a ver com pretovelho.
(19:38:28) barbarelak: b
(19:38:33) barbarelak: b
(19:38:39) barbarelak: b
(19:38:52) barbarelak: b
(19:38:55) barbarelak: b
(19:39:05) barbarelak: yuiy
(19:39:09) barbarelak: huihu
(19:39:12) barbarelak: uho
(19:39:21) barbarelak: yu
(19:39:31) barbarelak: hjvh
(19:39:35) barbarelak: j
(19:39:59) barbarelak: oc, as fontes daqui não aumentam
(19:41:15) octaviocamargo: deixa eu ver
(19:41:21) barbarelak: bbb
(19:41:27) octaviocamargo: no meu da certo!
(19:41:39) barbarelak: b
(19:41:50) barbarelak: bb
(19:41:57) octaviocamargo: é so ir na barra de cima no quadrado A
(19:42:54) barbarelak: v
(19:43:06) barbarelak: bbb
(19:43:16) barbarelak: n
(19:43:40) barbarelak: vvv
(19:44:08) barbarelak: c
(19:50:57) barbarelak saiu da sala.
(20:07:56) mathieu.struck: pô, a rádio tocando música de playboy aí
(20:08:49) mathieu.struck: “assim não dá, assim não pode”
(20:09:59) mathieu.struck saiu da sala.
(20:19:32) nillow@jabber.org [nillow@jabber.org/Adium] entrou na sala.
(20:20:05) nillow@jabber.org: to
(20:20:07) nillow@jabber.org: aqui
(20:20:23) nillow@jabber.org: tão aí?
(20:30:02) octaviocamargo: opa
(20:30:07) octaviocamargo: alo nilo
(20:30:28) octaviocamargo: aovivo.estudiolivre.org
(20:30:48) nillow@jabber.org: qual dos dois?
(20:30:56) nillow@jabber.org: radio metade livre
(20:31:09) nillow@jabber.org: ou pulso maestro?
(20:35:26) octaviocamargo: he
(20:35:37) octaviocamargo: pulso maestro
(20:35:48) nillow@jabber.org: quem ta tocando?
(20:36:10) nillow@jabber.org: o xilo
(20:38:33) nillow@jabber.org: não posso mandar um stremeing daqui e vcs mixar aí?
(20:38:56) nillow@jabber.org: posso mandar um e vcs juntarem!!!
(20:39:31) nillow@jabber.org: a musica ta bem mais alta que o som daí
(20:42:52) nillow@jabber.org: fala aí
(20:42:56) nillow@jabber.org: eu to
(20:43:02) nillow@jabber.org: eu to
(20:43:15) nillow@jabber.org: vc ta uma lindeza
(20:44:36) nillow@jabber.org: porque todos não entram nessa sala
(20:44:52) nillow@jabber.org: #conserto do jabber!!
(20:50:00) glerm saiu da sala (Replaced by new connection).
(21:14:28) octaviocamargo: nilow
(21:15:40) nillow@jabber.org: fala
(21:15:47) nillow@jabber.org: opa
(21:15:50) nillow@jabber.org: epa
(21:46:29) octaviocamargo: nillow
(21:46:37) nillow@jabber.org: FALA
(21:46:51) octaviocamargo: sou eu lucio
(21:47:03) octaviocamargo: no log do octavio ehehe
(21:47:08) nillow@jabber.org: DAE
(21:47:10) nillow@jabber.org: BELEZA
(21:47:11) octaviocamargo: hehehehehehehe
(21:47:31) octaviocamargo: apareçamais por aqui
(21:47:37) octaviocamargo: tá escutando a rádio
(21:47:42) nillow@jabber.org: tava
(21:47:46) nillow@jabber.org: dai caiu
(21:47:47) octaviocamargo: coloquei uma música pra você
(21:47:51) nillow@jabber.org: não sei porque
(21:47:59) octaviocamargo: loga de novo
(21:48:05) octaviocamargo: pelo vlc
(21:48:12) nillow@jabber.org: eu podia transmitir daqui e vcs mixarem por aí
(21:48:20) octaviocamargo: como?
(21:48:27) octaviocamargo: COMO? nolloW
(21:48:31) octaviocamargo: nillow
(21:48:33) nillow@jabber.org: passa o link de novo
(21:48:52) nillow@jabber.org: da radio
(21:48:58) octaviocamargo: http://estudiolivre.org:8000/oruqestraorganismo (‘http://estudiolivre.org:8000/oruqestraorganismo’) ufa!!!
(21:49:05) octaviocamargo: oquestraorganismo
(21:49:27) octaviocamargo: http://estudiolivr (‘http://estudiolivre.org:8000/oruqestraorganismo’)http://estudiolivre.org:8000/orqustraorganismo (‘http://estudiolivre.org:8000/oruqestraorganismo’)
(21:49:35) octaviocamargo: eessseee aaqqquuiiii
(21:50:21) nillow@jabber.org: passa a pagina no estudo livre (‘http://estudiolivre.org:8000/oruqestraorganismo’)
(21:50:30) octaviocamargo: calma ae
(21:50:31) nillow@jabber.org: nao ta rolando por esse link
(21:50:43) octaviocamargo: tá eerrraaddoo
(21:51:01) octaviocamargo: http://etudiolivre.org:8000/orquestraorganismo (‘http://etudiolivre.org:8000/orquestraorganismo’)
(21:51:04) octaviocamargo: agora sim
(21:51:11) octaviocamargo: opa naão
(21:51:34) nillow@jabber.org: pronto
(21:51:36) octaviocamargo: http://estudiolivre.org:8000/orquestraorganismo (‘http://estudiolivre.org:8000/orquestraorganismo’)
(21:51:37) nillow@jabber.org: to ouvindo
(21:51:42) octaviocamargo: AAAEEEE
(21:51:58) nillow@jabber.org: posso levantar uma radio aqui..
(21:52:04) nillow@jabber.org: vc conecta por aí
(21:52:14) nillow@jabber.org: depois roteia pelo jack
(21:52:17) nillow@jabber.org: e mixa
(21:52:27) octaviocamargo: essa música é pra vc
(21:52:42) nillow@jabber.org: muito obrigado… tchurururu fomfom
(21:52:52) octaviocamargo: manda a rádio ae
(21:52:58) nillow@jabber.org: fuca azul calcinha
(21:53:16) nillow@jabber.org: to te ouvindo
(21:53:27) nillow@jabber.org: dae
(21:53:32) nillow@jabber.org: posso
(21:53:47) nillow@jabber.org: sim senhor
(21:53:56) nillow@jabber.org: nao fique nervosa
(21:55:20) octaviocamargo: http://www.adiumx.com/images/logo.png (‘http://www.adiumx.com/images/logo.png’)
(21:55:57) nillow@jabber.org: q isso?
(21:56:43) octaviocamargo: é o logo do adiumx
(21:58:31) nillow@jabber.org: hmmmm
(22:00:15) nillow@jabber.org: http://www.estudiolivre.org/elIce.php (‘http://www.estudiolivre.org/elIce.php’)
(22:00:19) nillow@jabber.org: olha aqui
(22:00:30) nillow@jabber.org: ogg/Vorbis
(22:00:34) nillow@jabber.org: veja la
(22:00:37) nillow@jabber.org: clica ali
(22:01:46) nillow@jabber.org: to transmitindo
(22:02:26) nillow@jabber.org: o lucio????
(22:04:08) octaviocamargo: esse endereco?
(22:04:23) nillow@jabber.org: é a pag que ta o link
(22:04:33) nillow@jabber.org: titulo ogg/vorbis
(22:04:42) nillow@jabber.org: acho
(22:04:54) nillow@jabber.org: achô!?
(22:05:46) nillow@jabber.org: nada?
(22:05:50) nillow@jabber.org: tudo?
(22:05:54) nillow@jabber.org: simmmmmmm
(22:05:59) nillow@jabber.org saiu da sala.
o ovo e as entranhas
punctum
Banheiro da Sala Kernel, 2007.
———————————————————————————
Photo: Mathieu Struck
(Licensed under the GFDL)
———————————————————————————
ouvindo radio programação pela primeira vez – sintonia remota via rede – até conseguir – ebaaaaa!

MUSEUM OF TELEGRAPH AND WIRELESS INSTRUMENTS
22:49 gicéli: oi Octávio! Tudo certinho com a passagem?
eu: eu que pergunto
?
22:50 gicéli: a última informação que tive da agência foi que sim
eu: não estava tudo acertado que o gilson ia fazer o pagamento por internet?
gicéli: parece que o Gil já passou os dados e ficou de ir buscar os bilhetes na segunda-feira
22:51 eu: masssa
estamos transmitindo rádio
vc pode sintonizar ai
gicéli: lindas fotos da Croácia…
como?
eu: saiba um poucoi o que teu mano tá fazendo
gicéli: como eu faço para sintonizar?
22:52 eu: http://200.201.127.100/aovivo.html
clique em cima
vc esta na página de
22:53 gicéli: abri a página… e agora?
vou em download?
22:54 só abriu a página inicial, não estou ouvindo nada
eu: vai em ao vivo
gicéli: blz
22:55 eu: dae vc copia o endereço que tem ali, o azulzinho
e cola no vlc
ou no winamp
tem um link pra baixar o vlc na pagina mesmo
22:56 gicéli: to fazendo isso
eu: tem um monte de fotos do evento em midias
fotos
23:00 gicéli: to instalando o vlc
23:01 eu: gostou da página?
gicéli: tá instalado, o programa abriu mas não toca nada
23:02 eu: calma
gicéli: estou vendo as fotos
eu: então
abra o vlc
vai em arquivo
23:03 dae vai em streaming
achou?
gicéli: parece que o meu pc não está aceitando, vou tentar de novo
23:04 eu: achou o que te falei?
o vlc ta abrindo?
gicéli: abriu
23:05 eu: vai em arquivo
gicéli: agora vou em arquivo?
eu: ok?
sim
passo a passo
vamos lá
gicéli: e agora?
eu: vai em streaming
achou?
gicéli: não tem essa opção
23:06 eu: tem sim
open network streaming
gicéli: tem open file, open directory,
blz
eu: agora vai na bolinha que tem http
23:07 clica dentro da bolinha
gicéli: agora abriu um quadrado de alerta de segurança do windows
eu: desconidera
desconsidera
fecha o box
gicéli: já desconsiderei e não abre…
23:08 eu: calma
voce tem que colar o endereço que voce copiou dentro da caixinha
gicéli: eu to no vlc, vou em arquivo depois no network streaming e não abre nada…
23:09 eu: tem que abrir uma janela
isto não acontece?
o que acontece?
gicéli: abre um retângulo e daí não passa
23:10 eu: sim
o que tem neste retangulo?
gicéli: PORTA 1234
UDR/RTP
23:11 eu: putz
é esta merda de windows
que fica dificulando as coisas
vc tem o winamp?
23:12 gicéli: eu tinha, mas o pc foi formatado, mas posso baixar ele de novo
eu: baixa ele então
gicéli: blz
eu: e vai olhando um pouco as fotos
gicéli: alguma versão em especial?
eu: vou fumar um cogarro
vc tem acompanhado o hackeando catatau?
gicéli: sim
23:13 vi há pouco as fotos dos croatas
eu: tem um monte de posts sobre a ação que estamos fazendo
entrou no suite deles?
gicéli: já vi e li sobre isso
eu: é só clicar em cima do nome deles no post do occam
massssa
23:14 gicéli: vou baixar o winamp
23:16 eu: tem mais gente on line
na tua caixa de chat
que a gente possa ensinar como ouvir nossa rádio?
estamos í cata de ouvintes
criando redes
23:17 gicéli: aqui no google não tem mas na minha caixa do msn tem um monte
eu: então vc pode ir ai no gmail em bate papo
logo em baixo da caixa de entrada
acima na tua esquerda
23:18 clica ali
vc vai ter acesso ao documento inteiro desta conversa
achou?
gicéli: em adicionar contato?
eu: não
acima í esquerda
23:19 no icone bate papos
achou/
?
gicéli: certo, clico em bate papos e depois?
achei
eu: vai aparecer por primeiro em cima
conversa com giceli camargo
107 linhas
achou?
gicéli: achei
23:20 eu: então clica em cima
vai abrir um documento com a nossa conversa inteira
gicéli: já abri
eu: o gmail salva automaticamente
vc pode mandar a conversa por email
pra galera do msn
gicéli: salvou várias conversas nossas
eu: esta conversa já é um tutorial para acessar uma rádio na web
23:21 salva todas
vc não sabia/
?
gicéli: eu vou mandar pros meus contatos do msn acessarem tb
mas antes vou esperar o winamp pra ver se eu consigo ouvir
eu: é so eles lerem a nossa conversa
blz
23:22 gicéli: que vão aprender
eu: mas tem gente que vai conseguir
depende de como o windows foi instalado
gicéli: alguns vão conseguir e outros não?
eu: sim
mas vamos em frente
até conseguir
gicéli: e eu? vou ouvir?
eu: radio programação
no ar
23:24 baixou o winamp?
23:25 tenta ouvir no winows media player
mas acho que não vai dar certo
porque o windows player não le ogg
23:26 gicéli: já baixei o winamp agora só preciso criar uma conta para ele começar a funcionar
eu: que é o foramato livre do arquivo mp3
então vai
o winamp le ogg
23:27 deu?
gicéli: agora o que eu faço?
23:28 eu: vai em abrir url
achou
gicéli: tenho que abrir o winamp ou voltar na página do conserto
eu: abre o winamp
vai em file
ou arquivo
23:29 to sem o winamp
aqui
mas vc vai achar em algum lugar
open url file
achou?
23:30 isso tem até no windows media player
so que não toca ogg
abrir url
gicéli: está abrindo só um pouquinho
eu: achou?
como assim?
23:31 quando vc clica em abrir url
tem que aparecer um box
pra voce colar o endereço de url
gicéli: não tem url aqui, tem outras opções
eu: quais?
23:32 gicéli: library
browse folders
winamp remote playlists
eu: masi algum?
23:33 voce esta em file?
gicéli: estou na página inicial do winamp
eu: o programa está aberto?
gicéli: sim
eu: deve ter na barra de menu
o icone file
23:34 achou?
gicéli: no menu tem aquelas duas opções que falei mais custom search
e home playlist
eu: como que vc abriria um arquivo então?
tem que ter em algum lugar um open
gicéli: não tenho a menor idéia
eu: file
23:35 vc fez a instalação direito?
consegue ouvir qualquer outr coisa no winamp?
tente
gicéli: já vai
23:36 eu: e dai?
23:37 gicéli: eu não tenho nenhum arquivo tenho que baixar uma música qquer para ver se consigo ouvir no winamp
eu: vai escrevendo frases menores
é uma tecnica de conversar na rede
de manter contato
gicéli: ok
eu: se voc escreve um texto muito grande
23:38 dispersa
gicéli: blz
demora um pouco
formatei o pc
tá vazio
eu: poe linux
em dual boot
windows não dá mais!
reparte o hd
23:39 em dois
e ai vc escolhe o sistema
quando liga o pç
pc
pera ai
23:40 abre o windows player
vou te mostrar uma coisa
veja se vc acha lá abrir url
achou/
?
23:41 alo
cambio
23:42 gicéli: abri o windows media player
eu: achou abrir url?
gicéli: vou onde?
eu: file
ou arquivo
e ai?
gicéli: tem música
23:43 biblioteca
listas de reprodução
eu: vai e usica
musica
gicéli: blz
eu: e ai?
23:44 gicéli: imagens
video
outas mídias
qual?
video
e tv gravada
eu: outras midias
gicéli: qual delas?
23:45 eu: url
tem isso ai?
pera um póuco
vou na página do winamp
vou descobrir
lá tem um tutorial
guenta ai
gicéli: o que eu tenho aqui é o winamp remote beta
eu: tem que dar certo
não é possivel
gicéli: blz
eu: pelas barbas de netuno
23:46 http://baixaki.ig.com.br/download/Winamp-Full.htm
abre este link
vamos ver juntos
23:47 gicéli: blz
eu: vai pra baixo na pagina
gicéli: no winamp?
eu: no final tem uma imagem fa interface gráfica do winamp
23:48 deste link que te passei
clica nele
o texto em azul
vou mandar de novo
clica em cima
http://baixaki.ig.com.br/download/Winamp-Full.htm
ok?
achou?
23:49 cambio
gicéli: tá baixando
eu: o que?
esta carregando a pagina
é isso que vc quer dizer/
gicéli: o arquivo que vc mandou
eu: ?
23:50 não é um arquivo
é o endereço de uma página
vou fumar um cigarro
volto em cinco minutos
23:54 gicéli: acabou a instalação
o windows reiniciou
por isso perdi conexão
23:56 abri winamp novo
23:57 tem url
preciso digitar algo ali?
eu: ipi urra
então copia e cola o endereço uzulzinho que tem em ao vivo na
pagina de conSerto
23:58 gicéli: vc não sabe o endereço?
eu: achou?
pera ai que te mando
voce não usa o mozila?
no mozila vc pode abrir varias abas só digitando
gicéli: vou ter que baixar
eu: control t
gicéli: o pc foi formatado
23:59 eu: depois
lembre disso
é bem melhor que o ie
internet explorer
ja te envio
www.mozila.org
gicéli: blz
00:00 eu: http://estudiolivre.org:8000/orquestraorganismo
copia isto e cola na caixinha
00:01 ok?
gicéli: conectou
eu: ta ouvindo
?
diz ae
gicéli: nada
eu: vc colou o endereço na caixinha?
00:02 gicéli: colei
cliquei play
aparece o nome
mas não toca
eu: ligue a caixa acustica
ta ligada?
gicéli: tá ligada
mas não toca
00:03 eu: estranho
vou ver o tutorial do winamp
deve ser algo muito simples
gicéli: tá tudo certo
não sei pq não toca
00:05 aí vc escuta?
00:06 eu: sim
00:07 gicéli: será que tem algum problema aqui?
vc está ouvindo com o windows?
no winamp?
00:08 eu: não to no linux
gicéli: entaum naum rola no windows
eu: rola
no winamp
gicéli: já testou?
eu: ou vlc
gicéli: tem aki tb
00:09 baixei
eu: mas voce disse que não funcionou[
gicéli: não tocou nada
00:10 abri o vlc
vou em arquivo
e daí?
streaming
00:11 e digito omesmo endereço?
eu: sim
00:12 deu
?
gicéli: digitei
coloquei o endereço
vivaaa…to ouvindo
Saúde Suplementar
zeitgeist guide our device drivers

relativo a cair na estrada e perigas ver as quantas andaz

















