Cobrindo o Polaco de Letras
Última produção literária dos alunos e professores de Letras da UFPR
Evento coordenado po Salvio Nienkí¶tter na formatura do Desafiatlux
Sesc 02/09/2005 – 20h00 – segundo andar
Veja página em construção
Cobrindo o Polaco de Letras
Última produção literária dos alunos e professores de Letras da UFPR
Evento coordenado po Salvio Nienkí¶tter na formatura do Desafiatlux
Sesc 02/09/2005 – 20h00 – segundo andar
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“O filósofo que mais me entusiasmou, (se me lembro bem), foi Schopenhauer, o que mais me inquietou foi Wittgenstein, com o qual gostaria de poder concordar foi Kant, e com o qual concordo mais é Camus. Heidegger é sem dúvida, (com Husserl e com Dilthey) aquele que mais gostaria de ultrapassar, e é, neste sentido, o mais importante.” V. Flusser
Nascido em 1920 em Praga, escritor, filósofo da comunicação e crítico da mídia. Flusser é considerado no mundo inteiro como um dos mais influentes filósofos da mídia no século 20. Em 1949, ele e sua futura esposa, Edith, imigraram para o Brasil via Londres. Em 1963 publicou no Brasil seu primeiro livro em português: “Língua e Realidade”. De 1964 a 1970, foi professor de Teoria da Comunicação na FAAP em São Paulo. Sua obra foi publicada em várias línguas. Seu primeiro livro em alemão “para uma filosofia da fotografia” foi publicado em 1983. Flusser morreu em 1991 num acidente automobilístico. Seu legado no “Flusser Archive” da Academia de Arte e Mídias de Colônia (Alemanha), contém cerca de 2.500 manuscritos.

2005/dia 18 – madrugado de sábado.
Lua
Tão cheia
Apenas pra lembrar este vazio de amor que me completa agora.
Só, sozinha pelo céu que em outras vezes
Seu passeio e meus amores assistiu.
Redonda tanto quanto
As lembranças
Que ficaram em rolando em minha mente
Úmida lua
Pelo céu noturno baço
Escorre sussurrando: “amas?”.
Dos “muros” da Biblioteca Pública do Paraná

à Paulo Leminski, Vilém Flusser faz um resumo vivencial das suas
relações filosóficas, enfatizando a obra de Heidegger: “O
filósofo que mais me entusiasmou foi Shopenhauer, o que mais me
inquietou foi Wittgentein (…)”
Este pequeno fragmento da carta é datado de 02/09/1964, e nos dá uma
pista desta amizade. Penso que este fragamento colabora efetivamente para
a construção do “blog”. O que se depreende neste tipo de pesquisa
Octavio, é a riqueza de conexões, “links”, que o Leminski estabelecia
com o pensamento filosófico contemporâneo. É possível que a Alice
tenha esta carta, não sei…
Eu em particular estou vigorosamente surpreso com o livro: “Caixa Preta”
– Ensaios para uma futura filosofia da fotografia –
O cara manda muito bem!
.

nao sonhei.
ou quase.
colisão
silêncio
perfeitamente elástico
no bar da esquina
nostálgica –
lucida hesitava
(…)

(…)
e agora que eu soube
é simples ficar olhando.

tivesse umas cinco
ou cinco chances de me cancelar
demitida do espaço entre racionais e números reais
tal que todos passos de uma dança
a gente pudesse chamar de ainda
como este mapa de toques
do que não era isto
acontece –
que um isto que não era foi visitado
nesta rua
neste endereço
um dia que fosse
nesse lugar
e estaria entregue a você meu idioma
desperto pelos baixos meios em nome de meu nome
e a descoberta
sem jeito e de circo
cortante por dentro e sem sapatos
não passa de estilhaço de terra
eu quis dizer céu eu quis dizer sabia
eu edito: asteriscos*de*céus*do*sul
(você pergunta. qualquer coisa.
não passo de um sintoma. qualquer)
quanto a ir até chegar ou criar mais
ou não conceber distância – – –
estou por perto afinal.
esquecer a lei de ping-pong
tudo sempre como agora em diante
menos para não lugar segredo
surpresa sem quedas
– brinquedo sob vontade
eu que não vestia simples olhos ar puro
desde um dia aí em que o café acabou
{eu não digo
[controle (não sei bem) eu não entendo]
o que é próprio} monomania,
monodia. nenhum mais do que nenhum mais do que isso.
destreza em função (aplicação) dos parênteses.
sem tinta sobre branco eles dissecaram amarelo
verdade sob a luz fria variáveis ocultas
as cartas como gravuras carmim
em jogos
não meus.
lixo o anjo
para me esquecer hoje eu não cruzei a rua para onde essa memória vai eu lembro
de onde vim.
eu posso continuar crescendo
amanhã
sob a mesma natureza apaixonada
primogênita
em si
sinto o gostinho,
a não-hora, o tempo recorde em que droguei meus origamis
lícitos
(e te amo)
que caiam então todas as chaves.


Confirmado, a escritora Marina Ribatski estará no SESC dia 02 de setembro no evento Polavra, que acontence dentro do DesafiatLux, onde lançará texto inédito. Também fará a leitura do texto aos presentes.
Metamorfose da Gorda!
Não amanhece o dia enquanto estamos presos.
Confinado, não existem estrelas.
Se é que elas existem
Se não são apenas luzes viajando,
morrendo devagar e eternamente.
Quando se está preso,
Confinado, você olha a mão
relembra-a pequena…
e chora.
Por ver que esta não brinca mais.
Não há vida algemado
Ancorado, não vamos as Indias
É preciso ser livre de verdades
É preciso esquecer o homem para ser humano.
Rafael Carlleto
Por Gerson (Pereló)
Um dia eu vou morar numa América Saudita,
longinqua, cruzando o Golfo Lisérgico,
entre montanhas rochosas e mares de púrpura.
Deus queira que eu não morra
entre as armas e os sultões mancomunados,
na pressa de passar copacabana.
Caubói, coberto de um turbante,
com sorte, engenho, gana e arte,
haxixe, uísque, tamarindo e chocolate,
vou vasculhar por toda parte
a parte que me cabe
nesse rabo de boa esperança.
Entre cedros, sequóias e palmeiras,
quem sabe o sabiá ainda cantasse.
João Carlos Machado
inverno / 2005

eu pontuo,
o ponto está ausente,
você modera (luz), 2, 3, seriamente, ou 4, muito sério.
o eu pontuo se define claramente como “eu informo” e como conseqüência
um valor geral
fino
e muito figurativo.
o pauloleminski
é um cachorro louco
que deve ser morto
a pau a pedra
a fogo a pique
senão é bem capaz
o filhodaputa
de fazer chover
em nosso piquenique
o pauloleminski
é um cachorro louco
que deve ser morto
a pau a pedra
a fogo a pique
senão é bem capaz
o filhodaputa
de fazer chover
em nosso piquenique
Ohne worte/No words/Sin palabras
2005/dia 17- noite
Dilata-se o ar espaço que agora ouço:
Visível é a voz de um cão ao longe.
Dilata-se inda mais e treme
Aos sons que perfazendo o aproximar
Estendem-se e audivelmente se extinguem longe.
Os guturais motores dos passantes carros
Inocentemente
Desenhando em meus ouvidos
O espaço em que se movem
Ressoando superfícies.
Aparente inextinguível nada,
Infinito espaço que só reconheço
Pelo que o habita:
Coisas sólidas ou vaporosas,
Luzes e escuridões,
Sonidos e o mais profundo surdo nada.
Em algum lugar
Talvez
No infinito universo
Um não lugar.




desenho original: Serpieri
E na bunada, não vai dinha?